Empresas lesadas recebem fatura sem ter contratado serviços
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2001
Telma Elorza<Br>De Londrina 
A Coordenadoria de Defesa e Proteção do Consumidor (Procon) de Londrina está alertando aos comerciantes da região sobre o ''golpe da lista telefônica''. De acordo com o Procon, o golpe é simples e pode lesar muitas pessoas se não estiverem atentas. No órgão, se acumulam várias reclamações contra empresas do Estado de São Paulo, principalmente de Campinas. ''Já encaminhamos um ofício ao Ministério Público porque é um caso de estelionato'', afirmou o coordenador do Procon, Tito Valle.
Segundo Valle, o golpe funciona pela ingenuidade de funcionários. De acordo com ele, editoras de listas telefônicas provavelmente fictícias de outros Estados entram em contato por telefone com funcionários e dizem que estão fazendo uma atualização de cadastro para a lista telefônica, sem identificar qual. Obtêm todas as informações cadastrais da empresa e, com as informações, emitem faturas como se a empresa lesada tivesse contratado anúncios nas listas. ''Às vezes, as pessoas encarregadas de pagamentos nem percebem que aquilo não foi contratado e acabam pagando'', disse.
O gerente de uma empresa de confecções, José Luiz Rocha, foi um dos que registraram queixa no Procon contra a Ultralistas Comércio e Editora Ltda, de Campinas. Segundo ele, há cerca de 20 dias, a secretária recebeu um telefonema dessa empresa que, sem se identificar, pediu os dados da empresa para atualização cadastral. ''A secretária, na boa fé, forneceu os dados, já que era para a 'lista telefônica'. Menos de 15 dias depois, chegou cinco duplicatas no valor de R$60,00 cada'', disse.
O gerente estranhou a cobrança já que não nem conhecia a empresa e ligou para se informar. ''Eles disseram que tinha sido autorizado publicação de anúncio. Como vou autorizar anúncio se nunca cheguei a ver um exemplar sequer dessa lista?'', questionou. Segundo ele, esta não é a primeira vez que tentam aplicar o golpe em sua empresa. ''No ano passado, uma outra empresa, também de Campinas, fez a mesma coisa. A sorte é que confiro todas as faturas a serem pagas'', afirmou.
De acordo com Tito Valle, a orientação do Procon aos empresários é que não paguem as faturas. ''Se alguém tentar cobrar via cartório de protesto ou judicialmente as faturas, a orientação é que procure o Procon que pode atuar a favor das empresas lesadas porque, nesse caso, estariam no papel de consumidoras e registre queixa na polícia. ''Mas a principal prevenção é orientar os fu ncionários a não repassar informações sobre a empresa sem expressa autorização do proprietário ou gerente'', explicou.
A Folha tentou entrar em contato com a Ultralistas de Campinas, através do telefone (19) 3233-0433, mas as ligações eram direcionadas para uma caixa postal que estava cheia.


