Curitiba - Ações trabalhistas são responsáveis pelo leilão de vários bens móveis e imóveis em Curitiba. Amanhã, 178 ações trabalhistas estarão sendo solucionadas com leilões de veículos, imóveis, eletrônicos e informática, cadeiras, blocos de granito, pedra brita, tubos de concreto e outros bens. Mesmo grandes empresas de comunicação não estão dispostas a pagar o valor estipulado pela Justiça do Trabalho em dinheiro. Os bens que não forem vendidos nesse leilão, serão submetidos a novo pregão no dia 12 de dezembro.
É o caso da TV Bandeirantes, em Curitiba, que disponibilizou para leilão desde monitores de televisão e geradores de caracteres até servidores e circuito fechado de tevê com alarme monitorado. O valor total dos bens, segundo a avaliação do leiloeiro Plínio Barbosa de Castro Filho, é de R$ 24,2 mil. Outra emissora de televisão, a antiga Organizações Martinez (hoje CNT), resolveu penhorar três computadores para pagar uma dívida de R$ 2,3 mil; uma antena seminova para outra causa trabalhista de R$ 70 mil; e uma antena de transmissão de televisão num valor de R$ 140 mil.
Uma instituição de ensino conceituada em Curitiba e que promove cursos pré-vestibulares indicou para leilão 280 carteiras de salas de aula em cores diversas e dois computadores num valor total de R$ 16,6 mil. Outra instituição educacional leilou 35 carteiras universitárias por R$ 700. Mesmo dívidas pequenas são pagas com leilão de objetos e produtos não muito comuns nesse tipo de atividade. Um produtor resolveu leiloar 100 dúzias de ovos tipo II por R$ 180. Um hospital e maternidade colocou para leilão um filtro de água avaliado em R$ 400. Uma lanchonete resolveu colocar à venda 60 caixas plásticas para transporte de garrafões de água mineral por R$ 300.
Para o advogado trabalhista Christian Marcello MaÀas, o leilão é normal para esse tipo de causa. As empresas geralmente têm prazo de 48 horas para pagar ou indicar bens que possam ser leiloados para o pagamento de ações trabalhistas. O próprio juiz é quem nomeia o leiloeiro, responsável pela guarda do bem até o julgamento. ''As empresas preferem nomear um bem para não atrapalhar a atividade econômica normal e o fluxo de caixa'', analisou ele. O leiloeiro ganha um valor que varia entre 3% e 6% da venda realizada. O percentual também é definido pelo juiz e é pago pela empresa.
Das 178 ações trabalhistas que serão pagas com o resultado do leilão no dia 5 desse mês, 66% são bens diversos; 14% eletrônicos e informática; 9% imóveis; e 11% veículos. Se o valor da venda ultrapassar a avaliação feita pelo leiloeiro, o lucro é repassado para a empresa. A reportagem da Folha tentou contato com a TV Bandeirantes. No entanto, ninguém quis falar sobre o assunto. Na CNT, a reportagem foi informada que o advogado estava em viagem e só poderia atender à imprensa na segunda-feira.

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