Rio de Janeiro - Os descendentes de japoneses que trabalham no Japão (dekasseguis) ganharam importante ferramenta de acesso ao crédito no mercado japonês. O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) anuncia hoje acordo com a similar japonesa Trade's Creditor Protection Yugengaisha, permitindo que empresas nipônicas possam acessar o banco de dados do SPC, no Brasil. Estima-se que até 320 mil dekasseguis serão beneficiados.
''É um resgate da cidadania das pessoas que geram riquezas e que deveriam ser reconhecidas por isso'', diz o presidente do SPC Brasil, Edson Monteiro. Segundo ele, em um ano de parceria cerca de 1.500 empresas deverão ter acesso ao banco de dados da empresa, com 140 milhões de cadastros, dos quais até 28% com algum tipo de pendência.
Assim como no Brasil, as consultas feitas por empresas japonesas ao cadastro do SPC serão realizadas ''online''.
As principais compras realizadas por dekasseguis no Japão e que deverão ser as mais beneficiadas pelo acordo são de telefones celulares, passagens aéreas, lojas de produtos brasileiros e restaurantes, entre outros. A avaliação é da representante da Trade's Creditor, a brasileira Alice Hernandes, advogada que mora desde de 1998 no Japão.
''Todas as comunidades estrangeiras residentes no Japão, sem exceção, encontram barreiras na oferta de crédito. Em parte, pelo período de permanência transitório característico da mão-de-obra estrangeira'', afirma Alice, enfatizando que a Trade's Creditor foi criada recentemente para poder viabilizar o acordo com o SPC no mercado japonês.
Monteiro, do SPC, lembra que outra vantagem do acordo, que faz parte das comemorações de 50 anos de funcionamento do SPC, será o maior acesso dos dekasseguis a uma conta bancária, principalmente em bancos brasileiros como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.
Além disso, ele ressalta que será também um importante meio de proteger as empresas japonesas, já que muitos dekasseguis retornam ao Brasil com pendências financeiras no Japão. ''O maior investimento foi feito em adaptações, criação de protocolos. A grande dificuldade foi a harmonização das legislações das empresas dos dois países e o aspecto cultural, comportamental'', diz Monteiro. Para ele, o acordo também vai permitir uma melhor identificação de dekasseguis com potencial para se tornarem empresários ou autônomos. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Dekasseguis feita no início do ano, apenas 14% dos homens e 8% das mulheres que voltam ao País e montam um negócio têm sucesso.
Os próximos na lista de internacionalização do SPC são os brasileiros que vivem nos Estados Unidos e nos países do Mercosul. Segundo Monteiro, as negociações estão avançadas em estados americanos como Carolina, Nova Jersey e Flórida. No Mercosul, o SPC já tem um protocolo com a empresa de dados Equifax para desenvolver o serviço nos países da região.

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