Empresas irão manter investimentos em alta
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Renata Veríssimo<br> Agência Estado 
Brasília - A Sondagem Especial, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que 82% das empresas pretendem investir em 2009. O porcentual é um pouco menor que o registrado na sondagem de 2008, quando 89% das empresas planejavam investir naquele ano.
Segundo a CNI, a natureza dos investimentos, no entanto, será diferente este ano. O principal objetivo apontado pelas empresas será a melhoria da qualidade dos produtos. Esse objetivo foi assinalado por 41% das empresas. Aumentar a produção foi apontada por 40%, enquanto que, em 2008, esse quesito tinha 58% das respostas.
Segundo a CNI, a elevada folga na capacidade produtiva e as expectativas pessimistas quanto à demanda farão com que as empresas reduzam as compras de máquinas e equipamentos (bens de capital) em 2009 na comparação com ano anterior. Para 45% das empresas, haverá redução das compras; 41% manterão as compras; e 14,5% disseram que pretendem aumentar a aquisição de bens de capital este ano.
A sondagem revela também que a maior parte dos investimentos previstos para 2009 terá como objetivo atender a demanda interna. Segundo a pesquisa, 73% das empresas disseram que o foco dos investimentos será atender prioritariamente o mercado doméstico.
Para apenas 3% a prioridade será o mercado externo. E 24% disseram que os investimentos devem atender igualmente aos dois mercados. Segundo a CNI, a participação dos investimentos previstos para atender ao mercado externo está caindo desde 2005. Na pesquisa do ano passado, a estimativa era de 4,6% das empresas.
A CNI apurou também que, para 75% das empresas, a incerteza econômica é o principal risco aos investimentos previstos para 2009. Outras 43% assinalaram como fator de risco a reavaliação da demanda. A pesquisa ouviu 1.407 empresas entre os dias 5 e 26 de janeiro.
Investimentos
A sondagem mostrou que apenas 42% das empresas industriais que planejavam investir em 2008 realizaram seus investimentos como planejado. Outras 44% implementaram parte dos investimentos programados e 7,6% adiaram para 2009. A pesquisa mostra que 6,7% das empresas cancelaram ou adiaram os investimentos por tempo indeterminado.
Segundo a CNI, 89% das empresas ouvidas no ano passado informaram que pretendiam investir naquele ano. A pesquisa mostra ainda que aumentou o porcentual entre as grandes empresas que tiveram os planos de investimento frustrados. Neste segmento, 55% realizaram investimento tal como o planejado enquanto que, em 2007, esse porcentual era de 67%.
Entre as grandes empresas que cancelaram ou adiaram os investimentos por tempo indeterminado, o porcentual dobrou de 4% em 2007 para 8% em 2008. O setor de álcool, segundo a sondagem, foi o que teve a maior parte dos investimentos frustrados em 2008. Um terço dos investimentos previstos foi adiado.
Os setores de couros, madeira, móveis, material eletrônico e de comunicação e limpeza e perfumaria também apresentaram alto porcentual de empresas que adiaram ou cancelaram seus investimentos em 2008.
Segundo a CNI, para 57% das empresas, a incerteza econômica foi o principal motivo para o adiamento dos investimentos. Outros 22% disseram que o problema foi a reavaliação da demanda, enquanto que 17% apontaram a escassez de crédito como motivo do adiamento ou da realização parcial dos investimentos.
Somente nos setores de edição e impressão e veículos automotores que a incerteza econômica não foi apontada como o principal motivo para a postergação dos investimentos. Para esses dois setores, a principal causa foi a reavaliação da demanda.
A sondagem industrial também mostrou que a capacidade instalada em 25 setores da indústria de transformação está mais que adequada para atender à demanda prevista em 2009. Apenas dois setores não registraram expectativa de folga da capacidade produtiva: farmacêuticos e minerais não metálicos.
Mas, para o economista da CNI, Marcelo Azevedo, a capacidade instalada está muito próxima do adequado e, por isso, não deve haver risco de atendimento da demanda nestes dois setores. Por outro lado, veículos automotores, produtos de metal e metalurgia básica foram os setores com a maior previsão de folga na produção para atendimento da demanda em 2009.


