Empresas investem em vacina contra a gripe
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de abril de 1998
Agência Estado 
A gripe rouba por ano 4.160 horas de trabalho - o equivalente a 520 dias dias de produção de um funcionário - da fábrica instalada em São Paulo da Lorenzetti, fabricante de chuveiros, segundo o diretor de Recursos Humanos da empresa, Eduardo José Coli. No ano passado, ele contou 130 casos da doença, e em cerca de 80% dos casos houve afastamento do funcionário. A empresa começou na semana passada programa de vacinação contra a gripe para 2.500 empregados de São Paulo e do Paraná, arcando com custo total de R$ 32 mil, que segundo o diretor é compensado pelo aumento da produtividade.
Mas a Lorenzetti não foi a única a abrir os cofres para um programa de saúde. General Motors, 3M, Rhodia, Mercedes Benz, Continental e muitas outras aderiram à idéia. Até mesmo sindicatos entraram na onda. No dos Metalúrgicos de São Paulo, 200 dos 300 funcionários já tomaram a vacina, segundo o vice-presidente da entidade, Ramiro de Jesus Pinto. O presidente do sindicato, Paulo Pereira da Silva, vacinou-se há duas semanas e conclamou as empresas da base a investirem em programas assim. Já que não dá aumento, pelo menos dá a vacina, diz.
Na 3M, com três fábricas no interior de São Paulo e 17 escritórios de vendas em todo o País, os 3.300 funcionários já estão tomando a vacina contra a gripe, segundo conta o gerente corporativo de serviços médicos, Luiz Fernando Ribeiro Macatti. É que mesmo estando instalada em localidades de melhor clima - Sumaré, Itapetininga e Ribeirão Preto -, em 1994 a empresa amargou uma marca difícil: o correspondente a 200 dias de trabalho de um funcionário, perdidos por conta dos afastamentos de gripe. Em 1995 fez seu primeiro programa de vacinação, e o total de afastamentos caiu para 130 dias - redução de 35%, média que foi mantida no ano passado.
Segundo o sindicalista Ramiro, todas as companhias que aderiram ao programa tiveram boas razões para isso. Cada dose da vacina custa R$ 13,00, lembrou. Segundo informações fornecidas pelas empresas, a gripe provoca custo, por ano, de R$ 40 reais por funcionário. O custo é calculado com base nos afastamentos médicos (remunerados) concedidos aos metalúrgicos gripados.
Uma pesquisa da Associação Brasileira dos Serviços Assistenciais de Saúde Próprios de Empresa (Abraspe), com seis mil empregados de várias grandes companhias, mostra que os planos das companhias de aumentar produtividade, por meio diferentes formas de organização do trabalho, estão esbarrando em alguns entraves primitivos: sono, dores de cabeça, dores de estômago, varizes e até tonturas por parte dos funcionários.


