Agência Estado
De São Paulo
Temendo um aumento de ataques de hackers na virada do ano, as empresas estão aumentando seus investimentos na segurança de suas redes de computadores. ‘‘As datas notórias são os momentos mais críticos’’, alerta o sócio e presidente do Conselho de Administração da Módulo Security Solutions (www.modulo.com.br), Fernando Nery, uma das maiores empresas de segurança do país. ‘‘Bancos, governo e empresas de telecomunicações são os alvos mais visados’’, diz Nery.
Por causa disso, a Módulo desenvolveu um teste de invasão contra o bug do milênio, que tem como objetivo verificar as falhas e diminuir os estragos provocados por sabotagens e invasões. Vários especialistas acreditam que muitas panes e perdas de informações atribuidas a defeitos dos sistemas podem ser causadas, na realidade, por ataques programados para a entrada do novo ano. Para o chefe de pesquisa de uma das maiores empresas de antivírus do mundo, a Symantec, ‘‘é possível que o número de novos vírus chegue a 200 mil’’.
‘‘Acompanharemos o desdobramento do bug aproveitando a diferença do fuso horário em países com a Nova Zelândia e a Austrália, onde o ano novo chega primeiro’’, explica Nery. ‘‘A antecipação de problemas ocorridos em outras localidades será de grande valia para que possamos rastrear e impedir ataques’’.
Para reduzir ainda mais os riscos, há empresas que estão bloqueando o recebimento de arquivos atachados, evitando assim possíveis cavalos de Tróia em mensagens natalinas ou de ano novo, diz o engenheiro e consultor em redes Antonio Carlos Machado, da Multirede Informática, especializada em interconectividade (www.multirede.com.br). ‘‘Os chamados cavalos de Tróia são programas que vêm acoplados a um arquivo executável aparentemente inofensivo, como um cartão de Natal, por exemplo’’. Este intruso instala-se, então, no computador, sem que o usuário perceba. ‘‘O vírus é ativado quando se executa o programa infectado e dá tamanho poder ao invasor que este pode retirar informações estratégicas, tais como senhas, ou até mesmo apagar dados do computador’’. No ano passado, lembra Machado, ‘‘um vírus que ficou conhecido como Happy 99 – e infiltrou-se através de um executável que mostrava fogos de artifício na tela – causava a instabilidade na estação de trabalho Windows’’.
Mas nem sempre o inimigo está do lado de fora da empresa, diz Machado. As invasões oriundas de funcionários ou ex-funcionários, respondem por 70% das tentativas de ataque, segundo dados do Gartner Group. ‘‘Não pode ser descartada a possibilidade de que programadores ou analistas contratados pelas empresas para corrigir os programas, possam ter inserido comandos que sejam ativados na virada do ano, causando estragos e simulando um comportamento que se assemelha a um vírus tradicional’’, alerta.
Há casos ainda onde não é possível desligar os servidores ou circuitos na virada do ano ou proibir o recebimento de executáveis. ‘‘Essa alternativa não pode ser adotada nas empresas sem uma discussão interna envolvendo os comprometimentos e o tipo de atividade’’. Para esses clientes, diz Machado, além de tomar antecipadamente todas as medidas de segurança e atualização de antivírus, o recomendável é preparar uma equipe com profundos conhecimentos do ambiente e com especialistas em segurança.

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