São Paulo Duas marcas populares e tradicionais, há muito sem investir em marketing, chegam este mês ao mercado de roupa nova e com ações para seduzir os consumidores. A Companhia Piagentini, a fabricante do vinho 'Chianti' Piagentini, aquele que vinha em embalagens de palhinha cobrindo metade da garrafa arredondada até os anos 80, lança sua linha de espumantes e varietais na expectativa de conquistar um consumidor de maior poder aquisitivo. E que está trocando importados por nacionais. Já a Gomes da Costa, líder do mercado de peixes enlatados, que projeta faturamento de R$ 240 milhões para este ano, retocou as embalagens das suas famosas sardinhas e atuns e encomendou livro de receitas ao francês Olivier Anquier.
A empresa de enlatados fundada em 1954 e que movimenta anualmente 30 mil toneladas de sardinha e 12 mil toneladas de atum, quer com a promoção do livro Surpresa na mesa todo dia - 50 receitas do mar emprestar um ar mais respeitável aos enlatados. A atriz Suzana Vieira é a garota-propaganda da ação. A gerente de Marketing da Gomes da Costa, Regiane Street, diz que a idéia é fortalecer a marca e atrair novos consumidores. Ela estima que 500 mil livros serão distribuídos aos consumidores que juntarem cinco rótulos de produtos Gomes da Costa enviando-os pelo correio para a empresa.
A Companhia Piagentini, fundada há 70 anos, que encerrou o ano passado com faturamento de R$ 40 milhões, aposta no lançamento de vinhos de castas nobres com o mesmo objetivo da Gomes da Costa: fortalecer a marca e atrair novos consumidores. Desde 1994, com a abertura do mercado, a Piagentini começou a importar vinhos para engarrafar aqui, aproveitando a sua rede de distribuição. A empresa também voltou a se concentrar na produção própria de vinhos.
Flávio João Piagentini, enófilo e diretor de Marketing da Piagentini, conta que a decisão de criar uma linha de espumantes e vinhos varietais não foi consequência apenas da alta do dólar, mas das oportunidades abertas com as importações. Tanto que, para lançar a linha Família Piagentini, a empresa primeiro comprou vinhos de outros produtores, alguns importados, até chegar à fórmula considerada ideal. Hoje, a vinícola já compra uvas de castas nobres e produz ela mesma os vinhos e espumantes que levam a assinatura da família.
Com unidade industrial em Caxias do Sul e na cidade mineira de Andradas, a Piagentini projeta encerrar o ano com faturamento de R$ 45 milhões. Nessa fatia, estarão incluídas as 42 mil garrafas do vinho tinto, 26 mil do branco e 20 mil do rosé das safras 2002/2003.

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