Curitiba - As empresas que nascem em incubadoras tecnológicas apresentam baixa taxa de mortalidade, enquanto tradicionalmente 50% das empresas sem essa proteção fecham antes de completar dois anos de existência. A taxa de sobrevivência das empresas graduadas, termo utilizado para aquelas que saem das incubadoras, oscila ao redor de 88%. Praticamente superado esse desafio, ainda há um espaço a ser percorrido que é o de elevar o faturamento.
Esse foi o resultado de uma pesquisa feita este ano com todas as incubadoras e parques tecnológicos do País. O resultado foi apresentado ontem, em Curitiba, na abertura do XV Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, organizado pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).
A pesquisa foi feita com cerca de 6 mil empresas incubadas e graduadas que faturam R$ 1,8 bilhão, o que resulta em média R$ 300 mil/ano por empresa. Para o presidente da Anprotec, José Eduardo Fiates, essa receita deveria ser no mínimo 10 vezes maior, se for levado em conta que elas envolvem 30 mil pessoas trabalhando.
Fiates salientou que é possível elevar o faturamento das empresas apostando no diferencial de produtos que apresentam no mercado. Ele citou a Bematech, empresa de automoção, uma das pioneiras que nasceu dentro da incubadora do Tecpar, ''numa bancada de madeira'', salientou. A empresa se consolidou no mercado e faturou R$ 100 milhões em 2004 com a produção de equipamentos para automoção comercial.
O diretor do Sebrae Nacional, Paulo Alvim, presente ao Congresso, reforçou a necessidade de implementar um diferencial na produção para se sustentar no mercado. ''Mesmo as empresas incubadas têm que apresentar a premissa de inovar sempre'', disse. Segundo Alvim, se criou uma lógica de que empresas incubadas têm que ter bases tecnológicas. ''No Brasil, as incubadoras passaram a integrar empresas com inovação, empreendedorismo e desenvolvimento local'', comparou.
Alvim salientou que o sucesso de uma empresa depende de seu nascimento, que deve ser planejado e estruturado. Ele fez uma comparação com a elevada taxa de mortalidade das empresas comuns. ''A maioria nasce de uma necessidade de sobrevivência e, assim, muitas não conseguem competir no mercado, por falta de pensar num diferencial, que só surge quando há atividade'', afirmou. Segundo Alvim, nos países desenvolvidos as pessoas planejam seu negócio próprio durante anos, o que acaba determinando o seu sucesso.
Fiates destacou a participação das universidades como centro gerador de conhecimento para o desenvolvimento das incubadoras. Ele lembrou que, nos últimos três anos, está crescendo a participação das universidades privadas que se envolvem com as empresas incubadas.

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