Empresas gastam 50% mais com burocracia
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quarta-feira, 08 de outubro de 2003
Márcia de Chiara<br> Agência Estado 
São Paulo - Aumentou em 50% os gastos das empresas brasileiras públicas e privadas com as rotinas burocráticas previstas em lei. Até 2001, as despesas com burocracia consumiam 1% do faturamento das companhias, gasto que oscilava entre R$ 7 e R$ 10 bilhões. No ano passado, a fatia das despesas com burocracia atingiu 1,5% do faturamento das empresas, cifra que beira R$ 17 bilhões. Os números fazem parte de um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).
Segundo o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, entre obrigações acessórias as quais as empresas estão submetidas, como o preenchimento de formulários e declarações, as empresas têm de cumprir uma rotina de 95 itens. No caso dos tributos, que englobam impostos, taxas e contribuições exigidas dos consumidores e das empresas, o total é de 61. ''Esse é um custo muito elevado'', ressalta Amaral.
Estudo divulgado esta semana pelo Banco Mundial (Bird) mostra que o Brasil está entre os países mais burocráticos da América Latina. O número de dias para fazer valer um contrato comercial no País é de 380, perdendo na região apenas para Colômbia (527 dias), Bolívia (464 dias) e Peru (441 dias). O tempo para se abrir um negócio no País é, em média, de 152 dias, ante dois dias na Austrália. Segundo o estudo, gasta-se no Brasil mais de cinco anos para penhorar bens dados em garantia em contratos comerciais.
O sócio-diretor da Trevisan Consultores, Richard Dubois, destaca que entre as principais reclamações apontadas pelas empresas de médio e grande porte está a lentidão do sistema judicial, que se traduz na incerteza e na demora do julgamento dos processos. ''Isso afasta as companhias multinacionais do País'', afirma o consultor.


