Curitiba - A economia brasileira está se descentralizando. Segundo números de uma pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a participação de São Paulo e Rio de Janeiro no número total de unidades brasileiras de trabalho com empregos formais - empresas, órgãos da administração pública e entidades sem fins lucrativos - está diminuindo.
De acordo com o levantamento, em 1996 São Paulo concentrava 32,3% do total de unidades do País, e o Rio de Janeiro, 10,6%. Em 2003, essas participações tinham caído para, respectivamente, 29,1% e 8,7%. Em contrapartida, aumentaram as porcentagens da grande maioria dos outros estados. O Paraná, que em 96 possuía 7,2% das unidades de trabalho brasileiras, tinha 7,6% em 2003.
Segundo o IBGE, o Brasil em 2003 tinha ao todo aproximadamente 5,5 milhões de estabelecimentos registrados no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). Estas unidades representavam cerca de 35,7 milhões de pessoas ocupadas, das quais 28,5 milhões eram empregados registrados e com remuneração fixa e pouco mais de 7 milhões eram sócios ou proprietários em exercício na atividade.
A participação de São Paulo e Rio de Janeiro na distribuição dos assalariados brasileiros também diminuiu. Em 1996, São Paulo concentrava 36,5% da massa de trabalhadores formais do Brasil, e o Rio, 11,9%. A participação destes estados caiu para, respectivamente, 33,7% e 10,6% em 2003. A do Paraná, por outro lado, subiu de 5,2% para 5,6%.
Élcio Ribeiro, vice-presidente de serviços da Associação Comercial do Paraná (ACP), argumenta que os problemas decorrentes da superpopulação em São Paulo e no Rio de Janeiro impulsionaram esse processo de descentralização. ''Estes estados passaram de uma fase de atração para um período de evasão de empresas'', observa.
Ribeiro explica que atualmente as empresas levam em conta outros fatores no momento de decidir onde vão se instalar. ''Boas condições de vida, segurança e serviços de transporte aceitáveis, distâncias menores dentro das cidades, alta qualificação de mão-de-obra e boas áreas para manutenção de instalações são itens cada vez mais considerados'', diz ele.
Ribeiro afirma que, dados estes fatores, o Paraná é uma escolha natural. ''Além de atender a todas as exigências mencionadas, o Paraná está próximo de São Paulo. Basta uma viagem curta de avião e o empresário está em Curitiba'', justifica Ribeiro.
A sede brasileira da Kraft Foods foi transferida de São Paulo para Curitiba há cinco anos. ''A excelente qualidade de vida que a cidade oferece, a localização estratégica e a malha viária que liga a capital paranaense aos principais estados do País foram fatores que pesaram na hora de decidir a mudança'', afirma Newton Galvão, diretor de assuntos corporativos da Kraft. A empresa emprega atualmente cerca de 7 mil funcionários no Brasil. No Paraná, são aproximadamente 4,5 mil empregos diretos.

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