Empresas ficaram mais pobres em 99
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segunda-feira, 14 de agosto de 2000
Agência Folha Do Rio 
Pela primeira vez, em três anos de crises econômicas consecutivas de 1997 a 1999 , as 500 maiores empresas do Brasil ficaram, no geral, mais pobres, segundo ranking elaborado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Comparando-se 1999 com o ano anterior, houve perda de 3,3% no valor dos ativos e também prejuízo de R$ 2 bilhões, o primeiro desde 97.
O ranking da FGV é feito com empresas não-financeiras de capital aberto, ou sociedades anônimas, cujos balanços foram publicados até junho deste ano. Apesar das crises asiática, que começou a afetar o País no final de 1997, e russa, no ano seguinte, que culminou por levar o País a uma estagnação, foram a desvalorização do real e a alta dos juros que empobreceram o setor produtivo.
Saindo de um lucro de R$ 12,9 bilhões, em 98, para um prejuízo de R$ 2 bilhões, no ano passado, as 500 maiores sociedades anônimas tiraram quase R$ 15 bilhões de circulação algo como oito vezes e meia o lucro da maior empresa brasileira, a Petrobras, invicta na posição há sete rankings (desde 1993).
O ano passado foi extremamente difícil para as empresas e a desvalorização tem custos imediatos muito maiores que os benefícios, afirmou Quadros. O empobrecimento das 500 maiores empresas é um reflexo do baixo nível de investimentos no ano passado e do alto custo de suas dívidas. Sem ter como substituir máquinas obsoletas e compensar a depreciação dos seus patrimônios, as empresas aqui instaladas tinham ativos, no ano passado, que valiam praticamente o mesmo de 1997.
As empresas até aumentaram sua receita (já descontados os impostos indiretos) em termos reais (6,7%) e conseguiram também ampliar a margem de lucro bruto das suas atividades, mas esses melhores desempenhos não fizeram frente às despesas maiores com dívidas em dólar e serviços financeiros sobre os quais passaram a incidir taxas de juros mais altas.
Item que explicita tal dificuldade é o chamado resultado financeiro, onde estão computados todos os compromissos com dívidas e juros. O aumento de 98 para 99 nos gastos foi de R$ 34,7 bilhões.
Escapam ou atenuam as estatísticas gerais as empresas ligadas ao comércio exterior. Muitas companhias turbinaram suas receitas graças a cotações melhores dos seus produtos (commodities) no mercado internacional, ainda que não os vendam para fora. O exemplo mais óbvio é o setor petrolífero (leia-se Petrobras).
A receita em dólar das maiores empresas brasileiras não chega a 10% do que faturam as gigantes internacionais do mesmo setor, segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas). A Petrobras, por exemplo, número um do ranking das 500 maiores sociedades anônimas no Brasil, teve uma receita de US$ 14,5 bilhões em 1999; a da Exxon Mobil, maior petrolífera do mundo, é de US$ 163,9 bilhões onze vezes mais.


