Empresas fecham por acomodação de sucessores
A venda de muitas empresas familiares ocorrem, segundo Domingos Ricca, pela acomodação das gerações sucessoras. A venda também é forma de evitar expor a família às tensões do negócio fora de sua competência. Existe um padrão histórico, segundo o consultor, onde tipicamente, a empresa tem uma fase inicial de crescimento e expansão, sob a direção de seus criadores. Em seguida vem a segunda geração, que pode ser chamada de ''administradores do sucesso''. Nesta fase, a empresa continua indo bem, tendo lucro, pode até ser líder no mercado, mas deixou de inovar.
A terceira gestão é a dos administradores da estagnação, onde surgem concorrentes mais competitivos e mais criativos. Os gestores não conseguem fazer nada para mudar esta rota de declínio. Como exemplo, ele cita o grupo Matarazzo e Dreher. Os problemas na sucessão transformaram os Matarazo, de líder nacional, a um pequeno grupo com interesses agrícolas e imobiliários. No caso do grupo Dreher, maior produtor brasileiro de conhaques e vinhos, que foi vendido a americana Heublein, a derrocada se deu a partir da morte prematura de Carlos Dreher Neto.
Na avaliação da consultora Priscilla de Mello, uma empresa só é considerada familiar após a sobrevivência por gerações. Considera-se que 70% das empresas familiares encerram suas atividades com a morte de seu fundador; e o ciclo médio destas empresas é de 24 anos. E que, dos 30% que sobrevivem na segunda geração, só uma minoria perdura até a terceira geração. (V.B.)





