Arquivo FolhaMentalidade novaO sócio diretor da Arthur Andersen, José Ecio Pereira da Costa Júnior: empresário está mais realista As maiores empresas privadas do País vão fechar o ano com lucro 22% maior do que no ano passado. Faturamento e investimento também aumentaram na indústria brasileira, apesar da crise econômica que surgiu no último bimestre deste ano. Segundo pesquisa feita pela empresa de auditoria e consultoria Arthur Andersen, as empresas tiveram um faturamento 14% superior e investiram 57% mais do que em 1996. Os números foram divulgados ontem pela empresa de consultoria.
O índice de investimento ficou acima da estimativa feita há um ano, quando as mesmas empresas apostavam num crescimento de 23%. A maioria aplicou recursos para modernizar o parque industrial e aumentar a produtividade da empresa. O período de recessão, que faz com que grandes indústrias como a Volkswagen anunciem intenção de demitir funcionários, não atingiu a maioria das empresas. Segundo o levantamento da consultoria, as empresas garantem manter parte dos investimentos.
A pesquisa da Arthur Andersen é feita todos os anos. Os números trazem uma análise do que pensam os maiores industriais do País. A empresa de consultoria envia questionários para as 500 maiores empresas definidas pelo ranking da revista ‘‘Exame’’. Desse total, 113 responderam a pesquisa, o que garante um grau de confiabilidade de 95%.
As empresas foram consultadas no mês de outubro e responderam o questionário no ínicio de novembro, quando houve a crise financeira nas Bolsas de Valores brasileirase o posterior pacote econômico baixado pelo governo federal. A equipe da Arthur Andersen acredita que as respostas já foram dadas com base na previsão de manutenção dos juros altos por um curto período em 1998.
A pesquisa, que está em sua 12ª edição, tem um tom otimista e mostra que o empresariado está satisfeito com a estabilidade. ‘‘O resultado revela um empresariado realista, que não teme mais a inflação’’, afirmou o diretor e sócio da Arthur Andersen, José Écio Pereira da Costa Júnior. Os empresários responderam que não acreditam numa inflação superior a 5,9% em 98.
O que preocupa o empresariado é a carga tributária e as taxas de juros. Oitenta e seis por cento acreditam que o País só cresce se houver menos impostos. A lentidão da votação das reformas constitucionais no Congresso também incomoda o empresariado. Entre os pesquisados, 88% disseram que a aprovação das reformas é uma das principais medidas para manter os atuais índices de inflação.
A pesquisa aponta ainda que o comércio com outros países só tende a crescer. Sessenta por cento dos entrevistados aumentaram as compras e vendas para o exterior neste ano e 53% pretendem ampliar os negócios para 98. Somente 10% estão fora do comércio internacional. Entre as empresas que exportam, 81% vendem para o Mercosul.

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