De cada 100 empresas familiares, 30% chegam na segunda geração e apenas 5% na terceira geração. Os números comprovam que muitas não conseguem sobreviver a esta passagem ou, chegam lá, com muita dificuldade. A análise é do consultor Domingos Ricca, da DS Consultoria Empresarial de São Paulo, que esteve ontem em Londrina participando IV Fórum de Recursos Humanos - Gestão da Empresa Familiar.
O inverso desta situação está, na opinião de Ricca, na profissionalização da empresa. ''E o que é a profissionalização de uma empresa?'' questiona Ricca para responder logo em seguida: ''é a gestão da empresa num todo''. Isso não significa necessariamente, acrescenta, a contratação de um profissional externo, mas ao desenvolvimento e aperfeiçoamento dos processos de gestão das empresas.
''Esse profissional pode ser um filho, um neto, um sobrinho. Mas se ele não conhecer a empresa e não conseguir buscar resultados para ser o sucessor, tem que se buscar um profissional lá fora. Sem a profissionalização a tendência da empresa é acabar'', afirma Ricca.
O desafio para essas empresas familiares, diz o consultor, é conseguir ultrapassar as dificuldades da sucessão e chegar a terceira geração. 'Muitas vezes os pais querem perpetuar a família na empresa, mas o sonho dele não é o sonho do filho e, insistir nisso, não traz resultados positivos para o empreendimento. Ter atribuições específicas para cada um dos herdeiros é outro ponto fundamental, mas há necessidade de ter uma postura firme na cobrança dos resultados'', alerta.
Os principais erros das empresas familiares são colocar o filho sem experiência para o negócio e não lhe propiciar um plano de carreira e treinamento. ''A pessoa pode ter curso superior, especializações, mas se ela não tem experiência mínima de estrutura, não conseguirá trazer os resultados que a empresa almeja'', enfatiza o consultor.
Outro aspecto, salienta Ricca, é que a profissionalização não é somente estabelecer competências para ação daqueles que trabalham na empresa, mas também, um processo que tenha como princípio, um equilíbrio entre as diversas funções que compõem a organização. ''Dentre elas, uma função que se tornou estratégica e que tem ocupado um espaço importante no planejamento corporativo é gerenciar pessoas com o objetivo de reter talentos que possam ser um diferencial competitivo que impacta positivamente sua clientela e o mercado de forma geral'', diz ele, lembrando que a maior parte das empresas familiares no Brasil é de tamanho pequeno e médio e responde hoje por todos os segmentos, principalmente o varejo.

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