São Paulo - Começam a deslanchar os planos de investimento para ampliar a produção das indústrias que fabricam bens de consumo como calçados, confecções, artigos de perfumaria, entre outros, e estão próximas do limite da sua capacidade plena de fabricação. São projetos que vão desde a simples compra de máquinas mais eficientes e modernas até a construção de uma nova fábrica. Tudo para conseguir dar conta do crescimento do consumo doméstico, que começa a reagir, e do expressivo aumento das exportações.
Levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido da reportagem e com base nos dados da 151 Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, revela que a produção começa a aproximar-se do limite da capacidade instalada das fábricas também em segmentos importantes da indústria de bens de consumo, típicos de mercado doméstico. ''Não são só nas indústrias de bens intermediários que têm sobrecarga na capacidade de produção'', diz o coordenador técnico da Sondagem Industrial da FGV, Jorge Ferreira Braga.
Em abril, de 21 setores da indústria pesquisados, 11 ocupavam mais de 81,9% da capacidade instalada, a média da indústria de transformação para o período. Desses 11 setores, 5 são de bens de consumo final. Quem encabeça a lista é a indústria de sabões e detergentes, que em abril ocupava 99,6% da capacidade das fábricas. Na sequência dos bens de consumo estão os têxteis (89,4%), artigos de vestuário (85,9%), perfumaria (83,5%) e calçados (82%).
Braga destaca que, além desses setores trabalharem em abril acima da média da indústria, os prognósticos para os próximos seis meses são todos favoráveis. Quase todas (99%) empresas consultadas do setor de perfumaria e sabões, por exemplo, acredita que as vendas serão melhores do que as do ano passado para o período e apenas 1% espera repetir o desempenho do ano anterior.
O quadro é semelhante no setor calçadista e de vestuário. De acordo com a FGV, apenas 2% das indústrias desses setores projetam queda nos negócios até o fim do terceiro trimestre, 75% apostam em crescimento e 23% na manutenção. No setor têxtil, só 3% das indústrias esperam queda nos negócios nos próximos seis meses; 48% prevêem aumento e 49%, manutenção.

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