Sem um posto de fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Terminal de Logística de Carga (Teca) do Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, perde no mínimo 700 processos de importação ao ano para outras cidades, como Maringá, Curitiba e São Paulo. O número, que se refere aos processos da fábrica de medicamentos Sandoz Brasil, em Cambé, representa mais do que o dobro da demanda anual para o terminal de Maringá, que foi de 331 em 2012, segundo a Anvisa. Por isso, a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) cobram a instalação de um escritório do órgão federal na cidade, para aumentar os negócios na estrutura londrinense e a arrecadação de impostos.

A Infraero fez o pedido por um posto de fiscalização sanitária há mais de quatro anos e não obteve resposta. Em nota, a Anvisa informou que há falta de recursos humanos no órgão e que a demanda regional não justifica a criação de um novo escritório, o que oneraria os cofres públicos. "No ano de 2012 foram atendidos pelo posto da Anvisa em Maringá 331 Licenças de Importação (LIs), o que dá 27,58 LIs por mês, ou seja, menos de um por dia" citou, em nota da assessoria de imprensa. Porém, há um debate interno no órgão para revisão de processos (leia mais em texto nesta página).
Com base no exemplo da Sandoz, porém, Londrina poderia fornecer 700 licenças ao ano à empresa, o que representaria mais de US$ 350 mil (aproximadamente R$ 800 mil) em custos relacionados a taxas de comércio exterior. A fabricante de medicamentos importa anualmente 750 tonelada de matéria-prima e demais produtos usados na produção, o que depende da liberação da Anvisa.

Superintendente da Infraero em Londrina, Marco Pio afirma que há necessidade de um escritório continuamente na cidade porque hoje processos do tipo dependem de agendamento para visita de um fiscal de Maringá. "Poderíamos trazer cargas a qualquer momento e não só quando é agendado", diz. O presidente da Acil, Flávio Balan, também vê dificuldade em contar com serviços da cidade vizinha. "Muito do que chega hoje pelo porto seco de Maringá já vem para a nossa região e é inadmissível uma cidade deste tamanho ficar sem um posto da Anvisa."

Entre os estados do Sul, o Paraná tem o menor número de escritórios do órgão, com seis, conforme o site da Anvisa. Dois são em Foz do Iguaçu e Guaíra, que são cidades de fronteira, dois ficam na capital, um está na região portuária de Paranaguá e outro na Estação Aduaneira Interior (Eadi) de Maringá. Santa Catarina tem sete postos da Anvisa e Rio Grande do Sul, oito.

Conselheiro do Núcleo de Desenvolvimento Empresarial da Acil, Nivaldo Benvenho diz que é preciso que uma empresa mostre interesse em trazer produtos por Londrina para fazer com que a Anvisa abra um escritório no local. "A Sandoz já assumiu esse compromisso de fazer tudo por aqui", conta. Ele afirma que é preciso entender que o Teca funciona para processos que não envolvem questões sanitárias e que a cidade também negocia um escritório do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), ligado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
O presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Bruno Veronesi, conta que líderes de entidades empresariais e representantes da prefeitura se reúnem já há três meses, com objetivo de articular um movimento para alavancar o terminal de cargas de Londrina. Ele diz que a região de Londrina tem demanda bem superior à de Maringá, mas que muitas empresas locais acabam por usar estruturas em outras cidades. "Precisamos de um técnico aqui da Anvisa e do Mapa, porque o empresário precisa de agilidade e não pode esperar agendamentos."

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