A sociedade está exigindo cada vez mais que as empresas tenham uma participação efetiva na solução de seus problemas. Não é para menos. Os grandes conglomerados, principalmente a partir da globalização da economia, adquiriram uma enorme força e participação na vida das nações e, em muitos casos, tornaram-se mais poderosos que muitos estados nacionais. Um exemplo: em 1997, as 100 maiores companhias do mundo tiveram receita bruta que excedia o PIB de 50% dos países. Outro: o valor de mercado da Microsoft ou da Cisco, duas das mais reluzentes empresas representantes da chamada Nova Economia, não está muito distante do PIB brasileiro.
Ao mesmo tempo, a sociedade está consciente de que o Estado não tem recursos, capacidade de investimento e mesmo competência gerencial para resolver, sozinho, os graves problemas sociais que afligem a humanidade. Daí a certeza de que governos, instituições e empresas devem estabelecer parcerias para, juntos, promoveram a transformação social.
Obviamente, essa consciência de cidadania corporativa, enraizada na cultura de alguns países, está em estado embrionário no Brasil. Só recentemente, mais precisamente na última década, as empresas começaram a assumir seus compromissos sociais, desenvolvendo e/ou participando de programas sociais de grande impacto social e que estão mudando a face desse País. A maior parte dessas iniciativas está voltada para suprir carências de educação, assistência à criança e ao adolescente, preservação do meio ambiente e saúde.
Outra forma de exercer essa cidadania é reconhecer e apoiar as pesquisas que são feitas em universidades e outras instituições e são importantes para acelerar o processo de modernização da economia e da sociedade, ajudar a reduzir os desequilíbrios sociais e propor soluções para os desafios do presente e do futuro.
Uma dessas ações da iniciativa privada está completando 45 anos ininterruptos, reconhecendo a vida e a obra dos brasileiros que fizeram e fazem diferença nas diversas áreas de conhecimento humano. É o Prêmio Santista, da Fundação Santista, que esse ano contempla a área de Ciências Agrárias, premiando pesquisadores que estão contribuindo para o desenvolvimento agropecuário e agronegócios e para a biotecnologia agropecuária. Desde 1980, a Fundação entrega também o Prêmio Santista Juventude, voltado para pesquisadores de até 35 anos que se destacaram nas mesmas áreas do Santista.
A relevância e a credibilidade do prêmio são atestados pela própria escolha dos premiados. Não há inscrições e os candidatos são indicados pelas mais importantes universidades e instituições científicas ou ligadas à área de premiação.
Os premiados deste ano são os pesquisadores mineiros Eliseu Roberto Andrade Alves, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e José Oswaldo Siqueira, professor da Universidade Federal de Lavras (MG). Entre muitas realizações de toda uma vida voltada para a agricultura, Eliseu Roberto gerenciou projetos de irrigação no Vale do Rio São Francisco pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), empresa que também presidiu. Na Codevasf, criou e implementou os Distritos de Irrigação, aumentou a área irrigada e implantou o programa de exportação de frutas. Já as pesquisas do professor José Oswaldo sempre foram voltadas para o estudo e a manipulação de microorganismos e seus processos para otimizar a produção agrícola e recuperar áreas degradadas pela mineração e erosão.
O Prêmio Santista Juventude contemplou dois jovens pesquisadores: Alexandre Lima Nepomuceno, da Embrapa, e Maristela Franco Paes Leme, atualmente coordenadora de Defesa da Concorrência de Produtos Agrícolas e Agroindustriais do Ministério da Fazenda. A tese de mestrado de Maristela foca a concentração e internacionalização do capital na indústria brasileira de alimentos, analisando, entre outros pontos, o processo de fusões e aquisições no setor.
A cada ano, ao revelar trabalhos como esses, o Prêmio Santista reafirma que o País tem talentos e capital humano para enfrentar os desafios da nova ordem econômica.
- RUY MARTINS ALTENFELDER SILVA é superintendente geral da Fundação Santista, presidente do Instituto Roberto Simonsen e da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje)

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