Empresas e indústrias somam prejuízos com a greve
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terça-feira, 21 de outubro de 2008
Edson Pereira Filho e Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
A greve dos bancários está trazendo para o comércio e indústria uma situação de calamidade econômica para suas empresas. Essa é a opinião de líderes empresariais do Paraná, que enfrentam há 14 dias a paralisação dos bancos. Pagamentos de fornecedores, insumos, troco no caixa e falta de capital estão emperrando o comércio e a indústria em geral.
Já estamos vivendo uma situação de calamidade, o governo necessita intervir nesta questão, declarou Marcelo Cassa, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). Ele informou ontem que os prejuízos são incalculáveis diante do movimento paredista. A Acil responde por 2 mil empresas, entre indústria e comércio. Os bancários fazem uma greve justa. Os bancos precisam oferecer algo, até porque tiveram resultados positivos nos últimos anos, ponderou.
Empresários estariam fazendo verdadeiros malabarismos para fazer operações bancárias. A falta de capital de giro para pagar e comprar, além de fornecer troco para clientes, estaria impedindo a comercialização de produtos e até de serviços. Cassa dá como exemplo, o setor de venda de veículos, informando que as empresas já estariam em dificuldades para fazer o financiamento de carros. Com o banco fechado, como financiar?, ironizou.
Os investimentos das empresas estariam comprometidos em face do comércio não ter capital para investimentos na compra de produtos. As empresas estão emprestando dinheiro de factoring (empréstimos de corretoras) para poder funcionar, declara Amauri Donadon Leal, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Maringá (Silvamar). Ele explica que empréstimos nos bancos representam 2,5% de juros ao mês, enquanto nas corretoras o valor sobe para até 6%. A situação é muito difícil, não bastasse ainda tem a crise mundial, lembrou o líder empresarial, ao ressalvar que este dinheiro não será repassado aos consumidores. O cliente não tem culpa, disse.
A região de Maringá possui 12 mil lojas, com 52 mil empregados. Donadon informou que devido à falta de dinheiro no comércio, empresários estariam revendo a contratação de mil funcionários para as vendas do Natal.
Os lojistas de Curitiba e Região Metropolitana também enfretam dificuldades com a greve dos bancários. Segundo a presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Avani Slomp Rodrigues, uma das maiores dificuldades é para o pagamento de duplicadas que só podem ser quitadas na boca dos caixas e não no auto-atendimento. Como os lojistas não conseguem pagar as faturas em dia, estão arcando com a incidência de juros e multas.
Outro problema enfrentado é a retirada de dinheiro nos caixas automáticos que têm valores limitados a, no máximo, R$ 1 mil. No entanto, grande parte dos lojistas, necessitam fazer saques com valores maiores, o que não tem sido possível com a greve.


