Empresas e empregados buscam entendimento
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sexta-feira, 18 de agosto de 2006
Da Redação 
Enquanto a reforma trabalhista continua nos planos do governo, mas não sai do papel, empresas e empregados estão praticamente deixando de lado a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) para buscar um entendimento que seja adequado para as partes envolvidas.
Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Contabilidade, Assessoria, Perícia, Informações e Pesquisas (Sindaspel), Paulo Roberto Neves, desde 1996, mais de 80% das categorias profissionais vêm conseguindo reposição salarial acima do índice da inflação além de outros benefícios. ''Este ano, por exemplo, conseguimos um reajuste de 6% para as categorias que representamos enquanto que o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do período foi de 2,75%'', comenta Neves que representa 20 mil trabalhadores espalhados por 67 cidades da região de Londrina.
Segundo ele, é muito raro uma negociação salarial não ser benéfica ao trabalhador. ''O trabalhador às vezes acha que o índice de aumento é pouco, mas veja o nosso caso. Conseguimos um ganho real nos salários, pois o índice aplicado é 100% maior que a inflação'', contabiliza.
O presidente do Sindicato das Empresas Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro, concorda que nos últimos anos as negociações salariais têm beneficiado os trabalhadores, porém afirma que ainda há pouca participação nas discussões para a definição dos índices de reajuste o que provoca certo desgaste entre as empresas e os sindicatos.
''O empresário não frequenta o sindicato representativo da sua empresa e muitas vezes só fica sabendo do porcentual de reajuste quando o acordo já está assinado. O mesmo acontece com os trabalhadores. Poucos são os que participam das assembléias e discussões salariais. Aí surgem as reclamações. O empregado acha que o índice de aumento é pequeno e o patrão considera muito alto'', informa Ribeiro.
Segundo ele, outro fator que provoca certo desconforto aos trabalhadores é que eles não consideram os benefícios que são concedidos pelas empresas como parte integrante do salário. ''Um funcionário, por exemplo, que recebe um salário de R$ 500,00, tíquete refeição de R$ 100,00 e plano de saúde de R$ 200,00 quando é perguntando quanto ele recebe de salário por mês ele falará que ganha R$ 500,00, quando na verdade a remuneração dele é de R$ 800,00'', afirma Ribeiro.
O presidente do Sescap-Ldr diz que as empresas preferem conceder esses benefícios porque não há incidência de impostos sobre eles. ''Essa prática está tão disseminada que o funcionário novo já chega perguntando quais os benefícios que a empresa oferece. Está se transformando num diferencial no momento da contratação'', comenta Ribeiro.
De acordo com o advogado trabalhista Caio Marcelo Rebouças de Biasi, a CLT ainda é usada como base nas negociações salariais, mas a tendência é que o estado saia dessas negociações. No futuro, conforme ele, a legislação trabalhista se tornará mais flexível e as negociações vão ocorrer apenas entre patrões e empregados. ''Em vários países isso já acontece. São respeitadas as peculiaridades de cada atividade e funciona muito bem'', afirma Biasi.
Na avaliação de Ribeiro, no momento em que o governo não mais interferir, haverá mais ganho para as partes. ''O governo não tem como legislar olhando cada categoria profissional ou atividade produtiva. E isso acaba atrapalhando as negociações pois a regra do governo é sempre rígida. Quando o governo parar de interferir, as negociações fluirão de forma mais tranquila e benéfica para todos'', diz Ribeiro.


