Empresas do PR sentem reflexos da crise mundial
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba De um total de cem empresas que participaram de um fórum promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), 65% sofreram o impacto da crise financeira internacional. Estas companhias que pertencem a diversos setores tiveram 5% a 40% de perda de faturamento e estão localizadas nas cidades de Ponta Grossa, Londrina e Maringá. Cerca de 200 empresários destas três localidades participaram do Fórum Regional 2009 Reflexões sobre a Economia na Vida das Empresas.
O Fórum, que aconteceu ontem em Curitiba e contou com a presença do economista e professor da Unicamp Carlos Pacheco, apresentou um diagnóstico sobre o atual momento econômico, os impactos e consequências na realidade local do negócios. No dia 17 de fevereiro, o debate será encerrado em Cascavel.
O presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, voltou a defender melhorias no crédito, desoneração dos investimentos, alongamento no recolhimento de impostos, desoneração das operações financeiras e redução da Selic (taxa básica de juros da economia). A grande questão está no crédito. É preciso facilitar o capital de giro para as empresas, disse. Ele defendeu que a mobilização dos bancos deve ser mais ágil e lembrou que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) está estruturado para atender mais as grandes empresas.
Com as restrições do crédito, os setores que mais sofreram no Brasil foram a indústria automotiva e a de imóveis de luxo. Segundo ele, os segmentos mais atingidos podem contaminar outros a médio e longo prazos.
Loures disse que os principais problemas que os empresários relataram durante o Fórum foi a falta de crédito e a alta carga tributária. Se o governo desonerar os investimentos e as exportações, isso vai dar um novo ânimo para as empresas, disse.
Ele acredita que a saída para as empresas é unir-se às lideranças dos trabalhadores para ter uma agenda comum. Loures defendeu que os empresários tenham um conjunto menor de reivindicações mas com grande impacto. Para ele, as três questões centrais são a redução da Selic, a desoneração dos investimentos e das exportações e a agilização das obras públicas.
O presidente da Fiep destacou ainda a importância de mudar a política monetária e fiscal com diminuição de gastos por parte do governo. Queremos medidas que beneficiem toda a atividade econômica e não apenas um setor como as montadoras, declarou. O economista Carlos Pacheco acredita que a solução para o mundo vai nascer dentro dos Estados Unidos e não fora. Para ele, 2009 vai ser um ano ruim para a economia. O professor destacou que a crise contagiou o Brasil através do câmbio e do crédito. O sistema financeiro exagerou na reação e os bancos potencializaram a crise no Brasil, o que deixou as empresas sem crédito, analisou.


