Empresas do Paraná praticam inovação
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sábado, 10 de julho de 2010
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
A Gelt Tecnologia e Sistemas, de Londrina, planeja colocar em 2011 no mercado um eletrocardiograma digital e portátil, inédito em nível mundial, cujo objetivo principal é diminuir o tempo de atendimento do paciente que sofre um infarto. O IgY Laboratório de Biotecnologia, de Cambé, trabalha no desenvolvimento de kits de diagnóstico para doenças como a leptospirose e a cinomose, utilizando técnicas mais rápidas e de custo mais acessível que os métodos atuais. Em Maringá, a Hortaviva Comércio de Sementes e Insumos Agrícolas vai produzir mudas de banana em laboratório com certificação fitossanitária.
São exemplos de projetos inovadores de empresas paranaenses que acabam de ser selecionados para receber subvenção (recursos a fundo perdido) por meio do Programa de Apoio à Pesquisa na Pequena Empresa (Pappe-Subvenção) mantido pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. No Estado, foram escolhidas 50 entre 317 empresas inscritas no programa. Foram liberados R$ 11,4 milhões para projetos de inovação, sendo que o teto para cada empresa é de R$ 300 mil.
O programa é apenas uma das diversas fontes de fomento à disposição dos empresários que desejam investir em inovação. No Paraná, já existe um movimento neste sentido. A londrinense Gelt recebeu subvenção de R$ 295 mil para finalizar o projeto do eletrocardiograma digital que tem custo total em torno de R$ 2 milhões a maior parte dos recursos utilizados é própria.
A subvenção será muito importante para nos ajudar a pagar patentes, protocolos da Anvisa. Tudo isso é muito caro num projeto, afirma Tony Philip Selmer Novaes, sócio-proprietário da Gelt. Ele informa que a tecnologia (hardware e software) do dispositivo foi desenvolvida totalmente em Londrina por uma equipe formada por cardiologistas, doutores em engenharia eletrônica e engenheiros de computação, além de analistas e programadores.
Portátil, o aparelho poderá ser levado no bolso do paciente e acompanhará também uma camiseta segunda pele para que a pessoa possa vestir para ser monitorada. Assim, o paciente acometido de um mal estar em qualquer local poderá ser submetido a um eletrocardiograma, enviando a análise para o especialista na Central de Telemedicina. O retorno do laudo é realizado em 5 minutos no máximo com a mesma precisão de um exame tradicional.
Os objetivos são reduzir tempo de atendimento e custos. Hoje, as pesquisas mostram que o paciente infartado leva de 6 a 10 horas para ser atendido. A ideia é diminuir para duas horas, explica Novaes. Um dos diferenciais é o fato de o aparelho funcionar em 12 canais (que abrange todo o coração), quando os existentes no mercado são monocanais. O produto tem preço estimado de R$ 5 mil a unidade e deverá ser colocado nos mercados nacional e internacional.
Laboratório
Igy Labotarório de Biotecnologia recebeu R$ 187,5 mil para desenvolver kits de diagnóstico para doenças de saúde pública e animal como a leptospirose, a cinomose e a parvovirose, utilizando técnicas mais rápidas e de custo mais acessível que os métodos atuais.
Para a obtenção destes kits vamos produzir antígenos recombinantes, que são proteínas dos patógenos (agentes causadores das doenças), produzidas em larga escala por bactérias não patogênicas. Os testes que serão desenvolvidos neste projeto irão suprir as deficiências no diagnóstico que existem atualmente, explica a farmacêutica bioquímica Marilda Carlos Vidotto, sócia-proprietária do IgY, que começou a funcionar em 2005 dentro da incubadora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e hoje não é mais uma empresa incubada.
Para Marilda, a subvenção é importante para alavancar o desenvolvimento tecnológico. Temos o conhecimento científico e precisamos de recursos para colocá-lo em prática. A dificuldade é que atuamos em uma área que necessita de vários anos para desenvolver um produto que possa ser lançado no mercado, observa.
Os recursos serão suficientes todo o projeto. Tendo sucesso com os resultados, futuramente a empresa precisará de mais incentivo financeiro para passar a produção em grande escala e projetar sua comercialização. O IgY possui uma equipe formada por três doutores, um mestre, um graduado e um auxiliar de laboratório.


