Após cinco anos longe do mercado externo, o Paraná voltou a exportar milho. Empresas e cooperativas estão explorando um nicho de mercado criado nos países europeus que estão preferindo comprar o milho do Brasil, porque não é transgênico. A empresa Agrícola Horizonte, de Marechal Cândido Rondon, exportou 22 mil toneladas de milho, que foram embarcadas, ontem, em três navios que saíram do Porto de Paranaguá rumo à Espanha.
Além da empresa de Marechal Cândido Rondon, a cooperativa Coamo também exportou milho para a Espanha, entre os meses de dezembro e janeiro. A Agrícola Horizonte negociou o milho por US$ 94 a tonelada, ‘‘que liquidou o custo’’, disse o diretor da empresa, Osvino Ricardi. Ele lamentou que a Espanha não pagou nenhum adicional no preço pelo fato de o milho não ser transgênico.
Apesar disso, com a exportação a empresa evitou vender o milho no mercado interno, cujos preços estão despencando por falta de comprador.
Apesar disso, Ricardi disse que não é fácil conquistar o mercado externo e não soube dizer se as exportações vão continuar. ‘‘Depende dos importadores’’, disse. Apesar das dificuldades, o preço negociado pela Agrícola Horizonte foi considerado ótimo pela engenheira agrônoma Rossana Catiê Godoy Bueno, do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral).
Isso porque o valor negociado corresponde a R$ 10,7 a saca, cerca de R$ 3,00 acima do preço pago pelo milho no mercado. Ontem, o preço do produto caiu um pouco mais e o produtor recebeu em média R$ 7,58 a saca de milho, o que representa uma queda de 2,5% nos últimos 15 dias. De outubro para cá, o preço do milho já caiu mais de 30% no mercado.
O diretor de comercialização da Coamo, Roberto Petrauskas, lamenta que o interesse dos espanhóis pelo milho brasileiro já não seja mais o mesmo do início do ano. A Coamo chegou a exportar milho com um diferencial de 2% em relação ao preço pago pelo milho argentino. Segundo o diretor da cooperativa, com a entrada de milho da Argentina, Brasil e Paraguai ao mesmo tempo no mercado externo, é natural que os compradores analisem a melhor oferta.
Mas isso não impede a cooperativa de continuar a buscar novos mercados para o milho paranaense. Para Petrauskas, essa alternativa representa liquidez no mercado.
As cooperativas enxugam o excesso de produção que tem no mercado, vendem a produção para o exterior, e com isso podem pagar melhor o produtor, esclareceu. Segundo ele, com as vendas concentradas no mercado interno, será inevitável conter a queda de preços com a super oferta que está entrando ao mesmo tempo em todas as regiões do País.

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