Quando decidiu ampliar sua indústria de uniformes, Claudenilson Daniel não pensou que teria tanto trabalho. Há dois anos, o empresário procura um terreno em Londrina para transferir os equipamentos e os 45 funcionários que trabalham apertados em um galpão de 400 metros quadrados no Jardim Leonor (Zona Oeste de Londrina). ''Agora que encontramos o lugar ideal, fomos impedidos de entrar no terreno'', reclamou.
Daniel conta que, desde 2003, vem pesquisando junto à Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) algumas áreas para a doação do terreno. Finalmente, no ano passado, a companhia encontrou um lote, na Rua Daniel Vicente da Silva (Zona Norte), que atendia às necessidades da fábrica. O pedido de doação foi, então, passado à Câmara de Vereadores, que aprovou o projeto por unanimidade, e em novembro de 2004, o Executivo sancionou a lei. ''O problema é que o lote está cercado por um alambrado e para acessar o terreno é preciso passar por dentro da empresa vizinha. Mas o dono nos impediu de cruzar a portaria'', disse.
O diretor da empresa em questão uma joalheria , Roberto Carneiro, afirma que o projeto de ampliação de sua fábrica é antigo. ''Provavelmente os documentos da nossa empresa foram engavetados pela Codel e por isso, a companhia acabou doando o terreno novamente'', sugeriu.
De acordo com o diretor técnico da Codel, Ivan Roberto Vicente, existe um protocolo de intenção de doação do terreno, assinado pelo presidente da companhia e pelo proprietário da joalheria em fevereiro de 1999. ''Um tem a lei e o outro tem a posse'', apontou Vicente, ressaltando que enquanto aguarda a decisão da Justiça, a Codel pesquisa outras áreas suscetíveis a doação. ''Sem terreno a empresa não fica.''
Hoje, os funcionários da indústria de uniformes fazem hora extra para poder atender a demanda de pedidos, que chegam a 20 mil peças/mês. Com a ampliação, a fábrica passaria a ter mil metros quadrados e em dois anos, dobraria o número de funcionários e aumentaria em 5 mil peças a produção mensal.
Segundo Daniel, a empresa prefere não desistir do local. ''Investi tempo e dinheiro na busca do terreno ideal e não vou abrir mão dele'', assinalou o empresário. Para ele, se a intenção do dono da joalheria era ampliar a empresa, já o teria feito seis anos atrás. ''Garanto que, assim,mesmo irregular, a prefeitura não iria deslocar a empresa.''

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