Empresas devem repetir resultados no ano passado
Agência Folha
A desvalorização do real em relação ao dólar, que deixou a todos mais pobres, deverá reduzir o lucro e o faturamento das empresas neste ano. Isso não quer dizer que as empresas esperem um ano especialmente ruim, mas uma repetição de 98. Para os funcionários - executivos ou não - o futuro parece ser um pouco menos cor-de-rosa. A conclusão é possível a partir do posicionamento de 70 empresas na 2ª Pesquisa de Cenário para RH e Organização, da consultoria William M. Mercer.
O levantamento aponta também que a confiança na recuperação econômica ainda é limitada. O sinal está nos investimentos: 21% das empresas pretendem reduzi-los e 38% devem mantê-los. O percentual de empresas que planejam aumentar os investimentos caiu de 57%, no ano passado, para 41%, em 99.
Do ponto de vista do endividamento, a máxi afetará as empresas com dívidas em dólar, que são 45% das pesquisadas, explica o coordenador da pesquisa, Marcos Roberto Morales. As demais não acreditam em fortes impactos. Com essa moldura, a maioria das empresas (75%) pretende aumentar sua participação de mercado, reduzindo o custo dos produtos - o que implica em novos ganhos de produtividade.
Curiosamente, 8% delas dizem esperar redução no volume de vendas. Para Morales, significa que algumas deverão focar suas atividades no chamado negócio principal da empresa, podendo até deixar segmentos secundários. O aumento das exportações é a meta perseguida por 76% das empresas e 63% delas pretendem lançar novos produtos.
A grande maioria das empresas que responderam a pesquisa (68%) esperam que o crescimento da sua folha de pagamento seja menor do que a inflação. Portanto, quem anda sonhando com a reposição integral de perdas salariais pode ter uma surpresa ingrata. A tendência é de repor entre 70% e 90% da inflação.
Até mesmo a distribuição de bônus para os funcionários mais graduados poderá deixar a desejar. A tendência tanto para executivos quanto para os demais funcionários é a manutenção ou redução, no ano que vem, dos valores de bônus e da participação nos resultados em relação ao recebido em 99.





