Curitiba - Em todo País, estão depositadas 240 patentes de nanotecnologia conhecimentos científicos para a criação de produtos de tamanho reduzido , sendo 220 de empresas estrangeiras e apenas 20 desenvolvidos por brasileiros. Os números, apresentados ontem por um dos maiores especialistas do assunto no Brasil, o professor de Química da Universidade de Campinas (Unicamp), Fernando Galembeck, revelam a visão estratégica com que outros países tratam a nanotecnologia.
''Se tem tanta empresa estrangeira no Brasil é porque elas sabem que as empresas daqui podem querer usar seus produtos. Elas querem garantir seus direitos no País, ou para ter acesso ao mercado, ou para impedir que outros fabriquem esses mesmos produtos aqui'', diz Galembeck.
Um dos avanços citados por ele, obtidos com o uso dessa tecnologia, foi no setor farmacêutico. ''Com a nanotecnologia consegue-se aumentar a capacidade de aproveitamento dos medicamentos. Enquanto um remédio normal, que é caro, não é totalmente absorvido, com a nanotecnologia pode-se reduzir em até um quarto a quantidade da droga para obter a mesma absorção'', diz. O resultado desse processo pode significar redução de custos e até dos efeitos colaterais aos medicamentos.
O professor esteve em Curitiba a convite da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), para falar sobre ''Nanotecnologia e Seus Impactos no Setor Industrial'', com objetivo de alertar o meio acadêmico, indústrias, empresas e gestores da tecnologia sobre a importância de investir em pesquisas na área de nanotecnologia. Um dos problemas é a falta de interesse das empresas em realizar pesquisas. A maioria das 20 patentes brasileiras existentes foi desenvolvida por universidades, ao contrário dos Estados Unidos, onde 70% das pesquisas são feitas por empresas.
Segundo o professor, que também preside a Sociedade Brasileira de Microscopia e Microanálise e dirige a Academia Brasileira de Ciências, a nanotecnologia é atualmente um dos principais focos das atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação em todos os países industrializados.
Segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia, em termos globais os investimentos na área têm sido crescentes e atingiram, mundialmente, um valor de US$ 5 bilhões em 2002. Estima-se que, de 2010 a 2015, o mercado mundial para materiais, produtos e processos industriais baseados em nanotecnologia será de US$ 1 trilhão.
Já há alguns produtos industriais nanotecnológicos e o seu número aumenta rapidamente. O principal uso, hoje é na criação dos materiais (vidro, plástico, borracha etc) que, por sua vez, são usados em todas as indústrias, com destaque para as indústrias automobilística, eletrônica, de tecnologia da informação, química, farmacêutica, de alimentos e de materiais de construção. As duas maiores patenteadoras no Brasil são as indústrias Procter & Gamble e Loreal, fabricantes de produtos de higiene pessoal e cosméticos. A Loreal, segundo ele, desenvolveu uma monopartícula para proteção contra o sol, usada em diversos produtos.

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