Empresas devem focar a sustentabilidade
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A globalização acirrou a concorrência entre as empresas e forçou, automaticamente, modificações nas gestões. O menor preço deixou de ser o diferencial para um produto que, hoje, também deve ter tecnologia, padrão de qualidade e alto valor agregado. Esse comportamento gerou mudanças profundas em empresas que devem se preocupar também com a sustentabilidade, não só alcançando e mantendo bons resultados, mas desenvolvendo ações de responsabilidade social e ambiental.
A sustentabilidade empresarial como estratégia de valorização das empresas foi tema de palestra ontem em evento promovido em parceria pelo Londrina Convention & Visitors Bureau e Isae/FGV. O objetivo é capacitar empresários e diretores de entidades de classe para o tema. Cerca de 200 empresários participaram com o objetivo de conscientizar a categoria. Segundo Norman Paula Arruda, superintendente do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas no Paraná, a sustentabilidade é importante porque ajuda não só na valorização da empresa, mas também dos seus produtos e serviços.
Essa valorização tem ocorrido porque os crescentes problemas ambientais e as grandes diferenças sociais levaram a sociedade a cobrar um posicionamento firme das empresas frente a estas questões. Por isso, a responsabilidade social e a ambiental passaram a ser temas recorrentes, principalmente, entre as grandes empresas. Estas ações, inclusive, já são usadas em propagandas e estratégias de marketing. ''Essa atuação (das empresas) não será só refletida somente aos consumidores e investidores, mas também para os profissionais que irão procurá-las para trabalhar'', comentou Arruda.
No entanto, investimentos nestas ações ainda dependem do ''grau de maturidade'' dos empresários ou dos conselhos gestores. É um movimento mundial e, por isso, sem volta. Tanto que os investidores internacionais já procuram empresas socialmente responsáveis, sustentáveis e rentáveis para aplicar seus recursos. O entendimento é que estas empresas estariam mais preparadas para enfrentar riscos econômicos, sociais e ambientais que geram valor para o acionista a longo prazo.
De olho neste novo nicho, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) criou um índice de ações que serve como referencial para investimentos socialmente responsáveis: o Índice de Sustentabilidade Empresarial. ''Este índice teve rendimento 26% maior do que o Ibovespa (índice que mede o desempenho das ações mais negociadas da Bovespa). Isso demonstra que o reconhecimento da sociedade e está gerando valor às empresas'', avaliou Arruda. Ele acrescentou que essas ações que partem do empresariado são tão significativas que, inclusive, passam a influenciar na gestão dos países.
''Os governos têm que entender que não são donos das cidades ou dos países, mas gestores que devem investir em políticas públicas que ajudem no desenvolvimento do País'', explicou o superintendete da FGV/PR. De acordo com ele, investimentos em ações de responsabilidade social e ambiental são lucrativos até mesmo para empresários que entendem apenas a ''linguagem do bolso''. ''A partir destas ações as empresas se tornam mais competitivas'', disse.


