A agitação do comércio no mês de dezembro, as vendas de Natal, as festas e confraternizações de fim de ano, geralmente provocam entusiasmo na economia. Mas é sempre bom lembrar que este é um período atípico do ano e não a média dos 12 meses. A economia brasileira dá sinais de retração, acompanhando o que está acontecendo na Europa e nos Estados Unidos. Por isto, alerta o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), Marcelo Odetto Esquiante, é essencial que os empresários fiquem atentos aos números de seus balanços e de olho no que está acontecendo em volta para não ter problemas em 2012.
''É comum neste período de final de ano, quando as pessoas estão mais dispostas a gastar, alguns empresários ficarem mais entusiasmados do que o normal com o aquecimento da economia e com o dinheiro que entra no caixa. Porém, é preciso que tudo esteja na ponta do lápis. Os números da empresa devem ser analisados de forma global, e não isoladamente, tendo como base apenas o período festivo'', explica Esquiante. São estes números que vão orientar o empresário sobre os investimentos para o próximo ano. ''O planejamento é essencial para que o resultado aconteça, e para isso é preciso estar apoiado nos números confiáveis'', alerta o presidente do Sescap-Ldr.
Nesta semana, por exemplo, o governo brasileiro anunciou algumas medidas para tentar estimular a economia o que demonstra que a preocupação com a possibilidade de crise em 2012 é evidente. Em 2010 o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) - que é toda a riqueza produzida no país - foi de 7,5%. A previsão para 2011 é de que feche em 3%, mesmo índice esperado para o próximo ano. Recentemente o governo anunciou a redução dos impostos cobrados nos empréstimos a pessoas físicas, aplicações de investidores estrangeiros em ações e outros títulos além do que se chama de linha branca - produtos como fogões, geladeiras e lavadoras de roupas.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, acredita que as medidas darão estimulo à economia, garantindo um crescimento perto de 5% no próximo ano. Conforme o Ministério da Fazenda, a redução do IPI para a linha branca é válida até o final de março. O governo decidiu manter também a redução de impostos na farinha de trigo e nos pãezinhos.
Para o presidente do Sescap-Ldr, além dos incentivos para alguns setores da economia, o governo deveria olhar com mais atenção para as micro e pequenas empresas. Depois de cinco anos a tabela das empresas que integram o sistema tributário Simples Nacional foi reajustada. O limite de faturamento bruto anual das microempresas subirá de R$ 240 mil para R$ 360 mil, enquanto que o das empresas de pequeno porte passará de R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões. Já o teto para enquadramento como Empreendedor Individual, atualmente fixado em R$ 36 mil, será reajustado em mais de 65% e irá para R$ 60 mil. Porém, afirma Esquiante, é preciso mais.
Segundo Marcelo Esquiante, é importante ressaltar que as micro e pequenas empresas são essenciais para o crescimento da economia. Conforme o Sebrae, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, neste ano, até o mês de outubro, já foram criados 1,9 milhão empregos em todo país. Desses, 1,4 milhão foram criados pelas micro e pequenas empresas, o que corresponde a 80% do total de vagas abertas em 2011.
''São índices muito significativos e o governo deveria estudar a possibilidade de abrir o Simples para outras atividades da economia que hoje não podem ser enquadradas, como agências de propaganda, escritórios de advogados, representantes comerciais, atividade imobiliária e várias outras. O que deveria prevalecer é o faturamento e não a atividade. Seria mais justo e incentivaria o crescimento destes segmentos da economia'', comenta Esquiante.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr

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