Empresas devem aprender com a MPB, afirma Nassif
Empresas devem aprender
com a MPB, afirma Nassif
Jornalista econômico diz que o músico brasileiro venceu o desafio da globalização
Ruth Meira
DivulgaçãoNova culturaLuis Nassif: O vizinho não é o adversário. Ao contrário, pode estar aí um grande aliadoO jornalista econômico Luis Nassif associou música e negócios durante a sua exposição sobre Pequenas Empresas na Economia Competitiva da Globalização, no 9º Encontro da Habitação e do Mercado Imobiliário Paranaense, encerrado ontem em Londrina. Depois de exibir a sua habilidade com o bandolim em um jantar para os participantes do evento, na noite anterior, o comentarista de televisão falou por duas horas, ontem pela manhã, para profissionais do setor imobiliário e da construção civil.
Segundo Nassif, a música popular brasileira viveu há algumas décadas uma espécie de transição da globalização, quando houve a explosão do jazz no mundo todo, em um momento de ascensão da indústria fonográfica. Os intelectuais, que não têm a mão na massa, previram a catástrofe, como sempre. Acharam que esse seria o fim da MPB. Já os músicos brasileiros, ao contrário, viram no fenômeno do jazz uma oportunidade de enriquecimento e sofisticação da nossa arte. Acertaram. Logo, a bossa nova estourou no mundo todo, sem perder um milímetro sequer da sua força, das suas características.
O que o músico brasileiro viu, diz Nassif, é o que a maioria dos empresários brasileiros não vê agora. É preciso investir na criatividade e na reciclagem de conhecimentos. Quando a informação e o capital estiverem disponíveis para todos, é isso que vai fazer a diferença.
A partir de agora serão necessários cada vez mais - ele aponta - novas formas gerenciais, receitas modernas para a administração de recursos humanos e a expressão-chave do mundo globalizado: planejamento estratégico. Projeções para o ano 2010 mostram que 75% do Produto Interno Bruto do Japão, por exemplo, serão formados por produtos que ainda não foram inventados. O mundo vai avançar rapidamente e a sobrevivência nesse novo cenário exigirá esforço permanente.
É o que Nassif chama de admirável mundo novo, onde a carteira de trabalho, por exemplo, vira espécie em extinção. No futuro, será a algema do trabalhador. Na primeira década do próximo século, menos de 20% das pessoas vão ter empregos formais, como existem hoje. Os trabalhadores oferecerão os seus talentos em bolsas, prevê.
No Brasil, o processo de modernização deverá ser ainda mais intenso, diz. O mundo vive a maior transformação da história. E o Brasil, a maior transformação do mundo. Nesse novo jogo dos negócios, um caminho desponta como irreversível, segundo ele: o das alianças, da associação, do consórcio de interesses. E cita o exemplo que vem da Itália. Há dez anos o país vivia uma situação crítica, acossado pelas economias da Alemanha, Inglaterra, França. Foi aí que decidiu apostar na velha fórmula da união. Pequenas empresas se juntaram e passaram a investir nos seus pontos fortes - a batata de Bolonha, por exemplo, ou o design da cerâmica nacional. Hoje a Itália tem uma das economias mais dinâmicas da Europa.
A lição vale para o Brasil, ele afirma: É preciso perceber que o vizinho não é o adversário, ao contrário, pode estar aí um grande aliado. E alerta: O Sul, com a sua forte tradição associativista, tem tudo para sair na frente nessa nova tendência.
O suplemento Folha Imobiliária circula amanhã com caderno especial sobre o 9º Encontro da Habitação e do Mercado Imobiliário Paranaense.





