Empresas descobrem vantagens de manter seus funcionários
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domingo, 26 de outubro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
CuritibaTendênciaGazzeta, da Electrolux: é preciso agregar felicidade ao lucroInvestir na qualificação profissional e criar um time de funcionários com o mínimo de alteração possível. Esta tem sido a meta das grandes empresas, que descobriram a duras penas que é melhor manter o empregado dentro da empresa, mesmo em momentos de crise, do que demiti-los e arcar com custos de rescisão, multas e futuras contratações. Há ainda a perda da mão-de-obra qualificada.
Estudo feito por executivos ligados a departamentos de Recursos Humanos revelam que uma empresa gasta em média cinco salários para demitir um empregado e outros três salários para contratar o substituto. Melhor mesmo pode ser mantê-los e de preferência fazendo com que se especializem.
A tese de manter o empregado dentro da fábrica é defendida pelo gestor corporativo de Recursos Humanos da Electrolux do Brasil, Odair Montanaro Gazzetta. Há 10 meses dentro da Electrolux do Brasil - empresa com sede em Curitiba - ele já conseguiu convencer a diretoria que a Electrolux precisa investir no potencial humano existente desde as linhas de produção até os cargos de chefia.
Segundo Gazzetta, o Brasil é um dos países que mais demitem funcionários por motivos pouco relevantes. A média anual de troca gira em torno de 15% a 20% ao ano, enquanto países como os Estados Unidos apresentam uma taxa de 1%. No Japão é zero, afirma o gestor de Recursos Humanos (RH), que já atuou no departamento de RH da Toyota Motor Corporation, sediada no ABC paulista.
Mas pelo menos na Electrolux a política de demissão está restrita a casos excepcionais. Nos últimos 12 meses foram 1,1 mil demissões para 1,4 mil contratações. Nem mesmo a crise enfrentada este ano, quando houve queda de 30% na produção da indústria de eletrodoméstico, foi motivo para colocar o trabalhador na rua.
A Electrolux preferiu lançar mão de uma estratégia criada há dois anos: o Banco de Horas. O sistema faz com que o funcionário fique em casa e receba normalmente seu salário sem precisar trabalhar. As horas acumuladas são guardadas e quando a produção retorna com força, ele paga com trabalho os dias que ficou em casa.
Investir no mesmo time com talento é o segredo do bom negócio, garante Gazzetta, ainda comemorando o prêmio Destaque 97 em RH, que conquistou nesta quarta-feira, em São Paulo. Gazzetta diz que, psicologicamente, um funcionário se sente melhor se sabe que não corre o risco de perder o emprego.
Mas não é só a garantia do salário ao final do mês que conta. É necessário também que o empregado goste da profissão e se sinta feliz com o ambiente de trabalho e até mesmo com o salário, situação que parece difícil para grande parte dos trabalhadores.
Gazzetta diz que é necessário agradar felicidade ao lucro. E isso se consegue através da remuneração variável e da participação nos lucros da empresa. Com um faturamento de R$ 1,1 bilhão no ano passado, a Electrolux pagou 15 salários aos empregados em 12 meses de trabalho. Este ano, não atingirá a meta por causa da queda nas vendas. Mesmo assim, o 14º salário já está garantido aos 5,9 mil funcionários.


