Produzir com economia e mais eficiência utilizando o mínimo de mão-de-obra virou uma meta que praticamente todas as empresas têm perseguido nos últimos anos. O objetivo é en
contrar um sistema de produção que possa garantir competitividade frente às concorrentes sem que isto represente perda de qualidade. A solução para grande parte das empresas tem sido investir na terceirização dos serviços e até dos processos de produção. As montadoras são o mais visível exemplo de produção integrada com várias outras empresas.
Quando se instalaram na Região Metropolitana de Curitiba, Renault e Volkswagen/Audi atraíram um verdadeiro pólo automotivo formado hoje por mais de 45 fornecedoras. A Audi concentrou ainda mais seus parceiros num mesmo espaço junto à fábrica principal.
O parque fabril da Audi conta com 13 empresas que trabalham no sistema ''just in time''. ''Não temos como controlar 100% da produção, por isto temos um grupo de fornecedores que, por sua vez, têm outros fornecedores e assim por diante'', explica o diretor-geral da Audi, Thomas Schmall. A fábrica de São José dos Pinhais está totalmente terceirizada, com a maioria das empresas localizadas próximas. A agilidade permite uma produção de 420 carros por dia.
Há três anos comandada por empresa privada norte-americana MCI, a Embratel também optou pela terceirização como alternativa de se tornar mais ágil. A cada dez empregados da companhia, um é terceirizado. A mudança, no entanto, não se traduziu em corte de pessoal, muito pelo contrário. O diretor regional de vendas empresariais José Celso Vaghetti garante que hoje são 10 mil empregados contra 8 mil na época da estatal. ''Com a terceirização de nossos serviços buscamos competências específicas. Não somos competentes em manutenção de elevadores, então por que manter isso na empresa?'', exemplifica Vaghetti.
O exemplo de trabalhar em parcerias com várias empresas para colocar no mercado um produto final não é apenas mérito das grandes corporações. As pequenas e médias empresas também estão cada vez mais buscando soluções para agilizar e se modernizar.
O consultor Lauro Santos, da Parceirize Consultoria S/C, diz que é necessário ser ''flexível'' para ser competitivo. Ele avalia que a empresa paranaense avançou bastante nas formas de produção. ''Eram verticalizadas (concentravam na mesma empresa todas as atividades da etapa de produção) e hoje estão abertas para a terceirização'', diz Santos.
Ele critica, no entanto, a forma como muitos empresários encaram a terceirização. ''Terceirização não pode ser vista apenas como redução de custos e transferência de encargos sociais para outra empresa'', diz o consultor. Santos ressalta que é necessário encarar como parceria. É reconhecer que há empresas que fazem melhor do que sua própria empresa.
Muitos consultores avaliam que, apesar de ser crescente, ainda é muito pequeno o número de empresas que buscam a modernização de seus sistemas de produção. O diretor-técnico do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), Fulgêncio Torres, afirma que ainda há um grande potencial de melhoria, principalmente, entre pequenas e médias empresas. ''Há uma carência generalizada de processos de gestão mais eficientes'', afirma. Ele assegura que as empresas que trabalham em parceria têm mais chances de gerar riquezas.

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