A expressão ''fundo de quintal'', usada há algum tempo para identificar empresas que funcionavam em residências, parece ter saído de moda. A tendência hoje em dia é trocar os pontos comerciais no centro da cidade por espaços nobres no próprio lar. Em função da agilidade e facilidades proporcionadas pelas novas tecnologias no setor de comunicação, dezenas de empresários preferem montar seus escritórios em casa sem deixar, entretanto, que as rotinas domésticas interfiram no ambiente de trabalho.
A turismóloga Viviane Keide e sua irmã Christiane decidiram abrir uma agência de turismo aproveitando a experiência adquirida na área. Só que, ao invés de montar uma loja em um ponto comercial, Viviane resolveu ocupar ''provisoriamente'' o escritório que seu pai usava para trabalhar em casa nos finais de semana. O espaço tem cerca de 6 metros quadrados, mas é o suficiente para desenvolver o trabalho uma vez que não há grande movimento de pessoas.
Viviane diz que não queria abrir a agência da forma convencional porque não sabia se o retorno do negócio seria satisfatório. Além disso, ela também considerou a redução nos custos fixos, economizando com água, energia elétrica e telefone. De acordo com a empresária, mais de 90% dos atendimentos aos clientes são feitos pelo telefone ou pelo MSN. ''A internet facilita demais o nosso trabalho'', explica. Ela usa a internet para fazer reservas de passagens, em hotéis e manter contatos com os clientes por e-mail.
O empresário Edson Giroti consegue realizar normalmente as tarefas de sua corretora de seguros no apartamento onde mora. Ele atua no ramo há 22 anos e abriu um escritório no centro da cidade quando resolveu trabalhar por conta própria. Cinco anos depois decidiu levar a corretora para casa, onde funciona até hoje. Giroti afirma que é vantajoso ter a corretora em casa porque as visitas são feitas pessoalmente nos endereços dos clientes. ''Hoje, a maior parte das pessoas não tem tempo para procurar uma corretora'', afirma. Mas caso precise, ele diz que tem um local apropriado no apartamento para atendê-las.
O corretor explica que no seu tipo de negócio a maior necessidade do cliente é no atendimento rápido e eficiente do que em saber onde funciona a empresa. Para o bom atendimento, ele diz que são necessárias algumas linhas telefônicas, disponibilidade para atender ao celular em qualquer hora do dia ou da noite e ter bons computadores com internet rápida.
O analista de sistemas Adélcio Porto atua no ramo de informática há 28 anos, sendo que a primeira metade deste tempo trabalhou como funcionário de uma empresa. Quando resolveu atuar por conta própria, ele abriu um escritório em um ponto comercial, mas logo percebeu que não compensava manter toda estrutura. ''Vindo para casa, economizei com algumas despesas fixas, tais como o aluguel, água, energia elétrica e combustível''.
Atualmente, Porto trabalha na programação de sistemas específicos na área comercial para empresas que se localizam fora de Londrina. Ele diz que consegue trabalhar com tranquilidade, mesmo tendo dois filhos pequenos, de sete e quatro anos. ''Para mim, a principal vantagem é estar sempre junto com os filhos, levá-los à escola, ajudar na educação e acompanhar de perto o desenvolvimento deles''. Ele garante, entretanto, que toma os cuidados necessários para não misturar o trabalho com as atividades domésticas.

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