Brasília - Entre dezembro de 2004 e novembro do ano passado, 895 empresas brasileiras deixaram de exportar por causa da valorização do real, que reduziu a competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo. O levantamento consta do boletim Comércio Exterior em Perspectiva, divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ao deixar de exportar, observa a CNI, as empresas têm um prejuízo duplo: elas perdem não apenas o investimento realizado com a divulgação de seus produtos mas também os canais de distribuição e os clientes no exterior.
De acordo com a entidade, a situação pode piorar nos próximos meses, já que as perspectivas de investimento em exportações não são boas e muitas empresas estão direcionando o seu foco para o mercado interno. A CNI lembra que uma sondagem que realizou no terceiro trimestre do ano passado mostrou que 75,8% das pequenas e médias empresas e 45,6% das grandes tinham o mercado doméstico como alvo dos investimentos programados para 2006. Os porcentuais eram menores em sondagem semelhante feita em 2004, relativa aos investimentos programados para 2005: 68,3% e 51,4%, respectivamente.
Mesmo fazendo essa avaliação negativa, a CNI acredita que a balança comercial deve praticamente repetir neste ano o bom resultado obtido em 2005. Segundo a entidade, apesar da queda na rentabilidade, as exportações devem crescer 10%, chegando a US$ 130 bilhões, e as importações devem aumentar 18%, alcançando US$ 86,5 bilhões, o que resultaria num superávit de US$ 43,5 bilhões. A previsão da CNI para as exportações é menor do que a projeção de US$ 132 bilhões feita pelo governo.
Os principais motivos para esperar que a balança mantenha o superávit elevado, segundo a CNI, são os mesmos que permitiram ao País obter o saldo recorde de US$ 44,8 bilhões em 2005: altas cotações das principais commodities exportadas pelo Brasil, como soja e minério de ferro, e demanda externa forte, com o crescimento econômico dos Estados Unidos e, sobretudo, da China.
Segundo a CNI, a expansão das exportações brasileiras se deve cada vez mais à elevação dos preços do que da quantidade embarcada de produtos, cujo ritmo enfraqueceu no ano passado. Em 2005, a quantidade exportada cresceu em média 12,1%; em 2004, o ritmo era de 18,5%.

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