As 11 empresas que operam o sistema ferroviário no País querem que o governo invista recursos públicos na recuperação da malha ferroviária, hoje totalmente sucateada. Com o nome de Plano de Resgate da Ferrovia, o pedido foi apresentado ontem, em São Paulo, ao secretário de Transportes Terrestres do Ministério dos Transportes, Luís Henrique Teixeira Baldez, na abertura do Seminário Negócios nos Trilhos. O evento reúne, até amanhã, as concessionárias e as cerca de 70 indústrias brasileiras de material ferroviário.
‘‘Precisamos mudar o quadro da infra-estrutura, que é do século passado, para uma tecnologia do século 21’’, discursou o diretor-executivo da Associação Nacional de Transportadores Ferroviários (ANTF), Bernardo Figueiredo. Segundo ele, os principais problemas que o setor enfrenta são o sucateamento das linhas ferroviárias – cuja maior parte é do início deste século –, o envelhecimento de trens e equipamentos, o compartilhamento de linhas de carga e de passageiros em uma mesma via e o crescimento das cidades em torno das ferrovias, o que aumenta o número de acidentes.
Para melhorar essa situação, o setor cobra do governo federal uma série de medidas. As principais são a aplicação de parte da receita obtida pelo governo com as concessões na modernização da malha ferroviária, a redução da alíquota de importação de materiais e equipamentos, a construção de sistemas individuais para o transporte de cargas e de passageiros, a inclusão das concessionárias no Fundo Nacional de Transportes, que recebe recursos dos impostos sobre os combustíveis, a abertura de linhas de crédito para investimentos no sistema, a redução da carga tributária e a construção de contornos ferroviários.
O sistema ferroviário brasileiro, com 28 mil quilômetros de trilhos, foi passado à iniciativa privada a partir do segundo semestre de 1996. Desde então, o governo federal arrecadou, segundo o secretário de Transportes Terrestres, cerca de R$ 3,5 bilhões – entre o arrendamento das linhas, os impostos gerados e o dinheiro que, no período estatal, o governo injetava anualmente na Rede Ferroviária Federal (R$ 300 milhões). ‘‘Não houve negócio melhor para o governo federal’’, declarou Baldez.
O lobby do setor atuou com intensidade no seminário. ‘‘Pegamos um sistema em estado de degradação. Há a necessidade de altos investimentos a curto prazo’’, afirmou João Gouveia, presidente da Ferrovia Bandeirantes S/A (Ferroban), que atua no Estado de São Paulo e parte de Minas Gerais. Segundo a ANTF, as concessionárias já investiram R$ 1,2 bilhão no sistema. Só neste ano, serão R$ 400 milhões. A previsão de crescimento do volume transportado para 2000 é de 15%, acompanhando a tendência dos últimos anos. Apesar disso, as ferrovias respondem por apenas 20% do transporte de cargas.
O repórter Valmir Denardin viajou a São Paulo a convite da organização do evento

mockup