Muitos londrinenses podem estar enfrentando o problema do desemprego desnecessariamente. A denúncia é do Sescap-Londrina, sindicato que representa também as empresas de trabalho temporário e de terceirização de mão de obra. As agências reclamam que não têm conseguido trabalhar em parceria com a agência do Sistema Nacional de Emprego (Sine) de Londrina. ''Sem o trabalho conjunto quem está desempregado não fica sabendo das vagas e as empresas têm sua produção prejudicada porque demoram a completar seu quadro de funcionários. Todos perdem'', argumenta a diretora do Sescap-Ldr e representante do setor, Solange Rabelo, que também é gerente de uma empresa de trabalho temporário da cidade.
Segundo o Sindicato, várias empresas do setor têm reclamado da situação que já vem se arrastando há anos. Afirmam que sempre que informam a existência de vagas ao Sine de Londrina, solicitando o encaminhamento de trabalhadores inscritos que atendam o perfil das empresas clientes, não têm retorno. Solange Rabelo explica que ela mesma já questionou o órgão várias vezes nestes últimos anos obtendo sempre negativas. A principal explicação recebida pelas agências tem sido de que é uma opção da coordenação do Sine local não fazer o encaminhamento.
A psicóloga da empresa Alternativa, Priscilla Ortiz, explica que o Sine é o melhor lugar para captação de candidatos que estão em busca de emprego. Isto porque todos que ficam desempregados precisam passar pelo órgão para obter o seguro desemprego, conseguir opções acessíveis e subsidiadas de aperfeiçoamento e treinamento, além de se cadastrar para vagas disponíveis no mercado. O Sine também é passagem obrigatória para quem está em busca do primeiro emprego.
Juntas, só as sete empresas cadastradas no Sescap-Londrina somavam, até o final desta edição, cerca de 500 vagas em aberto por falta de candidatos. E muitas delas aceitando mão de obra sem experiência. A Alternativa Trabalho Temporário, por exemplo, tinha até quarta-feira, 50 vagas para auxiliar de serviços gerais, sem exigência de escolaridade e 60 vagas para auxiliar de produção que não exigiam experiência.
''O contato com o Sine encurta a distância entre o trabalhador e o empregador, agilizando o retorno ao mercado de trabalho. As agências fazem a primeira triagem para a contratação, não representam concorrência. Somos facilitadores'', resume a psicóloga.
Para pelo menos duas empresas de trabalho temporário que atuam também com terceirização, a opção do Sine Londrina de não encaminhar mão de obra foi atribuída a orientações do Ministério do Trabalho e a memorando do Estado. Procurado, o Ministério do Trabalho em Londrina informou que não há nada que impeça aos Sines atender as empresas de serviço temporário e de terceirização de mão de obra.
A coordenadora do Sine de Londrina, Neiva Vieira, informou que o órgão está retomando o relacionamento de parceria com as empresas de emprego temporário. Ela assumiu a coordenadoria da agência do trabalhador em janeiro de 2010 e atribuiu as negativas recebidas pelas empresas a um mal entendido provocado por falta de informação de um funcionário.
A coordenadora confirmou que, até o ano passado, o Sine de Londrina não estava atendendo às empresas de trabalho temporário e de terceirização. Afirmou ainda que a postura era realmente resultado de um memorando do Estado desaconselhando a parceria que, porém, perdeu a validade com a municipalização da gestão do serviço.
''Nosso papel é intermediar, o das agências é de fazer a seleção, eles não se chocam, porém, se complementam. Nossa missão é gerar emprego, trabalho e renda, e entendo que essa parceria é muito importante para movimentar a política de emprego do Sine'', reforçou Neiva.
Fonte: Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e Serviços Contábeis de Londrina (Sescap-Ldr)

mockup