Brasília - As concessionárias de telefonia fixa apresentaram ontem um cenário sombrio sobre as perspectivas de suas atividades no Brasil. Em um estudo elaborado pelas consultorias Guerreiro Teleconnsult e Accenture, as empresas prevêem uma queda da receita média por usuário, com riscos para a viabilidade econômica das empresas e para os investimentos em expansão e modernização. O estudo foi encomendado pela Associação Brasileira de Prestadoras de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix).
Segundo Renato Guerreiro, presidente da Teleconnsult, e primeiro presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o modelo de telecomunicações previa que em 2005 as empresas já teriam saúde financeira para se lançar no mercado internacional. As crises enfrentadas pelo País, e a redução da renda da população, frustraram esses planos. ''Para que este passo seja dado, é necessário repensar tudo, é necessário que se mobilizem o governo, as empresas e o órgão regulador'', afirmou.
O estudo comparou o mercado brasileiro de telefonia fixa, nos anos de 2000 a 2002, com o de dois grupos de países: de mercados emergentes e de mercados maduros. As cinco concessionárias locais brasileiras - Telefônica, Telemar, Brasil Telecom, CTBC e Sercomtel - foram consideradas como uma só empresa, para efeitos do estudo. Entre os emergentes foram considerados África do Sul, Argentina, México e Venezuela. Nos mercados maduros, foram estudados Austrália, Alemanha, Canadá, Coréia, Espanha, França, Itália, Portugal e Reino Unido.
A elevada carga tributária brasileira aumenta em até 60% o custo das ligações para os consumidores, e acaba reduzindo o efeito das baixas tarifas. Quando a cesta de tarifas de 2002 é calculada sem impostos, fica em US$ 8,24, maior apenas que as da Argentina e da Coréia (US$ 8,08). Nos demais países emergentes, as cestas foram de US$ 9,61 na Venezuela, US$ 14,21 na África do Sul e US$ 19,04 no México. Entre os demais ''países maduros'' do estudo, excluída a Coréia, as cestas variaram de US$ 12,44% (Canadá) a US$ 25,85 (Reino Unido).
Quando incluídos os impostos, a cesta brasileira subiu cerca de US$ 5, indo de US$ 8,24 para US$ 13,43. No cálculo da cesta foram computados assinatura básica, habilitação e minutos de chamadas locais em horários de pico.
O ambiente econômico brasileiro, segundo as operadoras, faz com que a margem operacional das empresas seja de apenas 10,01%, em média, enquanto nos demais países emergentes ela chega a 21,87%.

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