Empresas de refeições driblam a crise
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quinta-feira, 20 de março de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba O setor de refeições coletivas teve crescimento de 6,8% no volume comercializado em 2002, apesar do ano passado ter sido o pior da última década. As perspectivas para 2003 são ainda melhores. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (Aberc), deve haver crescimento de 10,6% no volume e de 19% no faturamento neste ano.
Os problemas que as empresas de refeições enfrentaram no ano passado são semelhantes aos percebidos por toda a cadeia produtiva brasileira: alta do dólar, juros altos, crise na Argentina, inflação e instabilidade devido à troca de governo. Mas o setor foi bastante prejudicado porque os principais aumentos de preços em 2002 foram de alimentos. Pelo índice de alimentos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a alta foi de 50,10% em 2002.
De acordo com o presidente da Aberc, Rogério da Costa Vieira, por causa de contratos já firmados, o repasse de preços não foi feito e o preço médio de uma refeição no Brasil se manteve, em média, em R$ 4,20 no ano passado. Segundo ele, as grandes pressões vieram das carnes em geral, dos óleos e gorduras e de cereais como feijão e arroz.
''Prevendo as situações críticas, criamos uma central de negociação que durou seis meses e que agora está passando por avaliação'', relatou Vieira. Outro problema percebido pelo setor foi a redução de subsídios de empresas para a alimentação do trabalhador. Segundo Vieira, as empresas do setor conseguiram sobreviver pela otimização da gestão, redução de desperdício e das margens de lucro.
Mas também ocorreram algumas fusões e aquisições de empresas que não resistiram às pressões. A Nutricel, de Londrina, por exemplo, foi adquirida pela Sapore. ''Nós incentivamos as fusões e defendemos o enxugamento do mercado. Na Europa há cerca de 250 a 280 empresas operando na área, e no Brasil temos quase mil, sendo que umas 900 são microempresas, que deverão ser incorporadas'', relatou. As empresas maiores, cerca de 100, respondem por 90% do mercado nacional.
As perdas que o setor teve em 2002 devem ser repassadas neste ano, o que vai ajudar a aumentar o faturamento. Vieira disse que o volume comercializado deve aumentar com base nas terceirizações dos serviços de alimentação das empresas. ''Também devemos nos posicionar em segmentos que hoje não temos presença muito grande, como hospitais públicos, privados, presídios e Forças Armadas'', informou. As empresas do setor empregam cerca de 150 mil trabalhadores, sendo 8 mil no Paraná.


