Empresas de porcelana podem faturar R$ 1 bi neste ano
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As empresas de porcelana e cerâmica de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, não se deixaram abater e continuaram os projetos de investimento mesmo em meio a crise econômica mundial. Várias aplicaram recursos na compra de fornos novos e algumas começaram até a recontratar funcionários que foram demitidos. A expectativa é atingir neste ano um faturamento de R$ 1 bilhão, superior aos R$ 800 milhões de 2008.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Porcelana e Cerâmica do Paraná (Sindilouça-PR), José Canisso, disse que dez empresas estão investindo R$ 50 milhões em novos equipamentos, substituição de fornos e automatizações de máquinas. ''O setor está indo bem, mas estamos trabalhando o dobro'', contou. Segundo ele, o segmento entrou em novos mercados como África, Argentina, Paraguai, Venezuela e Colômbia. Já atendia os mercados da Europa, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Caribe e América Latina. O setor conta com 25 empresas de portes pequeno, médio e grande que geram cerca de 10 mil empregos diretos.
Uma única empresa, que ele preferiu não revelar o nome, investiu R$ 15 milhões em um forno que vai reduzir o tempo de queima da porcelana de 26 para oito horas. ''Estamos trabalhando para permanecer no mercado. Temos que estar presentes a cada centímetro'', afirmou. Segundo ele, os preços dos produtos tiveram uma correção média de 10% neste ano. ''Foi um ano (2009) muito difícil. O esforço foi tão grande que o resultado ficou positivo'', disse. A previsão é terminar o ano com a produção de 500 milhões de peças.
Ele lembrou que a energia elétrica teve um aumento de 12% em Campo Largo, onde os consumidores residenciais e industriais são atendidos pela Cocel. Por outro lado, o gás natural teve desconto de 10% neste ano.
As demissões também cessaram no setor. A Schmidt que tinha demitido quase 200 funcionários no ano passado voltou a recontratar aos poucos. O proprietário da Porcelarte, Marcelo Cavalli, contou que a indústria comprou um forno novo que aumentou a produção em 30%, mas preferiu não revelar valores. A empresa dele havia demitido oito funcionários e agora contratou 18 pessoas. Hoje conta com 63 empregados. A expectativa dele é que, a partir de agora até o Natal, ocorra o pico da produção. ''Temos produtos para atender todos os tipos de público e vendemos pratos de R$ 1,20 a R$ 49'', contou.
As fábricas de Campo Largo ainda sofrem com a concorrência desleal da porcelana chinesa que, segundo Canisso, são contaminadas com chumbo. Ele encaminhou o assunto para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e aguarda uma resposta. Também há um processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de antidumping para investigar um possível subsídio chinês para a porcelana que entra no Brasil.


