"O Brasil é um País de portas abertas", diz o advogado Felipe Augusto Tenório de Souza e Lima, da Grassano & Associados. Ele deu ontem palestra na sede do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Sindimetal) de Londrina quando orientou empresas sobre os procedimentos para contratar trabalhadores estrangeiros.
Ele mostrou dados nacionais que apontam que, de 2005 a 2012, o número de trabalhadores estrangeiros no País saltou de 25 mil para 73 mil, e destacou que esse público encontra poucas barreiras para vir trabalhar no Brasil, diferentemente de outros países, como os Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, existe, em todo o País, uma grande demanda por mão de obra, o que leva empresas a contratarem trabalhadores estrangeiros, declara o presidente do Sindimetal, Walter Orsi. Uma situação comum neste setor é a necessidade de trazer profissionais de fora junto a equipamentos adquiridos no exterior a fim de auxiliar na instalação ou no treinamento dos funcionários brasileiros.
Esta também é a necessidade da Pado, indústria de cadeados de Cambé, afirma a supervisora de Recursos Humanos, Ana Gagioni. Segundo ela, já houve situações em que a empresa precisou chamar técnicos estrangeiros para darem manutenção nas máquinas da empresa que foram importadas. Em outra situação, a Pado contratou uma secretária alemã para atender clientes estrangeiros.
Com a vinda de refugiados do Haiti para o Brasil, também se tornou comum a contratação destes trabalhadores no País. A MSE Engenharia, de Londrina, está atualmente com nove haitianos no quadro de funcionários, todos moradores de Cambé. Josiane Martins, analista de RH, afirma que eles procuraram a empresa em busca de emprego, indo ao encontro das necessidades da empresa, que tem dificuldades em encontrar mão de obra qualificada.
Elisenor Pierre Lebrun, auxiliar de montagem, detém dois certificados de cursos para eletricistas concluídos no Haiti. Além do crioulo e do francês, línguas oficiais do seu país de origem, Lebrun também fala espanhol, com o qual se comunica. O rapaz veio junto com o primo, interessado em conhecer o País. "Não é tanto pelo pagamento. Eu queria aprender. Aqui no Brasil consegui amigos novos e estou aprendendo a falar português."
Já seu colega de trabalho, Jeanry Pierre Lecceus, veio em busca de uma remuneração melhor. Ele atuava como pedreiro e pintor na República Dominicana e conta que lá pouco se pagava pelo seu trabalho. Segundo Josiane, os haitianos têm boa capacitação, aprendem rapidamente e são dedicados. "O trabalho deles é ótimo. Se não chamá-los para ir embora, eles não vão."
A Multimetal também foi procurada por três haitianos de Cambé, e os contratou para atuar na área operacional. "Foi pela dificuldade em contratar mão de obra", afirma Daniela Souza, gerente administrativo-financeiro da empresa. Segundo ela, os haitianos perderam posses no seu País de origem e vieram em busca de emprego.
De acordo com Walter Orsi, do Sindimetal, ainda são poucas as empresas que possuem trabalhadores estrangeiros contratados no setor metalmecânico, mas a tendência é que o "intercâmbio" de profissionais se intensifique. "Não podemos fechar as portas para o mercado. A tendência é que haja intercâmbio."

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