Empresas de material esportivo faturam com o Pan-Americano
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sábado, 07 de abril de 2007
Vera Dantas 
São Paulo - As obras dos Jogos Pan-Americanos do Rio, com início marcado para daqui a três meses, estão atrasadas. Greves de trabalhadores em busca de melhores condições de trabalho estão virando rotina. Nem mesmo essa situação desanima as grandes grifes esportivas. Todas querem aproveitar o evento para turbinar vendas e ganhar participação de mercado.
A Olympikus, marca da Azaléia, sai na dianteira. Será patrocinadora oficial dos jogos e terá seu nome estampado em uniformes e acessórios de cerca de 3 mil atletas. A empresa, com faturamento de R$ 410 milhões em 2006, é líder na área esportiva em tênis, com 10% em volume de vendas do mercado, que movimenta por ano 100 milhões de pares e R$ 7 bilhões.
A Olympikus investiu R$ 100 milhões no Pan e tem uma expectativa de crescimento de 30% nas vendas em relação a 2006. Mas é claro que outras grandes marcas globais, como Nike, Asics, Mizuno e Fila, também querem aproveitar o filão.
O Pan é considerado uma vitrine, principalmente para os tênis de maior desempenho, com alta tecnologia e de preços mais elevados. ''Nossos lançamentos começam a chegar este mês no mercado e vão se intensificando até a estréia dos jogos'', diz o diretor de artigos esportivos da Mizuno, Gumercindo Moraes Neto. A marca vai patrocinar na competição profissionais de vôlei de praia, atletismo e futsal e espera no mínimo um incremento de 10% nas vendas.
Com base no mote da campanha global da Adidas ''Impossible is nothing'' (Impossível é nada), o ginasta Diego Hypólito vai contar sua história numa ação de marketing da empresa preparada para o Pan. ''Além do Diego, estamos fechando contratos com outros atletas'', avisa o diretor de Marketing da Adidas, Luciano Kleiman.
A Nike já negociou com oito atletas de várias modalidades. Mas foi com a Nike 10K, uma corrida de rua em São Paulo, com largadas ao mesmo tempo em sete cidades latino-americanas, que a gigante mundial de artigos esportivos ganhou mais projeção. Tanto que as vendas de tênis de corrida da marca cresceram 26% no ano passado na comparação com 2005. Cerca de 25 mil corredores participaram da prova da Nike.
Fora das pistas de atletismo do Pan, a concorrência entre as marcas já chama a atenção. E o foco dos lançamentos está dirigido para quem gosta de caminhar e correr, atividades físicas que envolvem uma quantidade cada vez maior de pessoas.
Só no ano passado o mercado de tênis de corrida movimentou cerca de R$ 1,5 bilhão.
O diretor-presidente da Asics Brasil, Yoshihiro Okada, diz que em todo o mundo os licenciamentos estão sendo trocados por operações próprias para que a filosofia da marca seja seguida mais de perto. Hoje, os tênis da Asics são importados, mas em 2008 a companhia começa a produzir no Brasil tênis, roupas e acessórios. A meta é abastecer também a América Latina.
O objetivo da Adidas é ocupar a liderança até 2010. Não existe um ranking oficial de participação de mercado das grandes marcas. Mas em volume de vendas a Nike, com faturamento global de US$ 15 bilhões, sai na frente. No mercado mundial, a Adidas vendeu no ano passado cerca de US$ 9 bilhões. As marcas não revelam o faturamento no mercado brasileiro.
A Mizuno já se considera a marca mais vendida no País em tênis de tecnologia de ponta e desempenho. ''Até 2005 o crescimento da empresa era de 15% ao ano, em média, mas em 2006 tivemos um aumento de 27%'', diz Gumercindo Moraes Neto.
A Reebok, para se destacar perante as concorrentes, aposta em corridas diferenciadas, uma febre no exterior. A marca vai patrocinar este ano corridas onde o destaque será a ecologia e um circuito noturno.
A marca de origem italiana Fila, licenciada pela Dilly, patrocina atletas quenianos, colecionadores de vitórias em disputas mundiais de corrida. Mas 95% dos tênis da marca são nacionais.


