Depois de oito dias da entrada em vigor do aumento de 6% para 15% na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para pessoas físicas, o comércio descarta a possibilidade de haver qualquer redução nas vendas a prazo de produtos que tenham menor valor. Com exceção dos financiamentos de carros e de viagens para o exterior, o crediário para produtos mais baratos não sofrerá uma alteração significativa. ‘‘O aumento vai ser de R$ 2 ou R$ 3 na prestação mensal e o cliente não vai deixar de comprar por causa disso’’, diz o sub-gerente de uma loja em Curitiba, Nilson Mildenberg.
Algumas financeiras e a própria Associação Comercial do Paraná também avaliam que não haverá redução das compras a prazo. Estes setores são unânimes em afirmar que o consumidor não tem interesse em saber quanto será o valor final do produto após o pagamento de todas as prestações. ‘‘O que interessa é saber se vai dar para pagar as parcelas’’, afirma a assistente da área financeira de uma rede de lojas, Josiane Adami.
Com um faturamento mensal de R$ 9 milhões, a rede ainda não adotou qualquer medida que possa aumentar os juros ou alterar o crediário por causa do IOF. A empresa vende cerca de 30% dos produtos a prazo. Segundo a Associação Comercial, há lojas de departamentos em Curitiba que chegam a vender até 80% no crediário. O que mais chama atenção dos consumidores é o preço baixo da prestação.
O gerente de banco Manuel Ribeiro também diz que não haverá queda no crediário, porque a maioria das pessoas não calcula o juro efetivo que incide sobre um produto. ‘‘A ânsia de comprar é maior’’, diz Ribeiro. Desde setembro do ano passado ele diz que a empresa parou com a linha de financiamento ao comércio e voltaria neste mês, mas adiou o retorno para julho. Assim, poder ver como o mercado financeiro vai se comportar diante da nova alíquota do IOF.
Mas prestação baixa não é sinônimo de produto barato. Um aparelho de som em uma grande loja de Curitiba custa R$ 869,00 à vista. Se o consumidor optar pelo pagamento em 19 vezes, a prestação será de R$ 85,16. Só que no final do período, o produto terá custado R$ 1.618,00. Se o comprador colocasse o dinheiro na poupança durante os 19 meses, conseguiria comprar dois aparelhos de som à vista e ainda levaria um troco de R$ 60,00, sem contar o rendimento da caderneta.
Por causa da demanda reprimida de consumo, as pessoas não se incomodam em fazer dívidas nas lojas para comprar os produtos. A preferência é pelos eletrodomésticos. Desde o Plano Real, o patamar das vendas no comércio tem se mantido alto. A pesquisa mensal feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito mostra que os níveis de consumo estão de 150 até 300 pontos mais altos em relação ao índice 100, tomado como referência em julho de 1994.
O Banco do Brasil, que tem uma carteira de R$ 89 milhões em operações onde incide o IOF para pessoas físicas, também não aposta numa fuga em massa dos financiamentos, principalmente os que sejam de curto prazo. ‘‘As pessoas não analisam o custo final, mas as prestações que terão’’, afirma o coordenador do núcleo de comunicação do Banco do Brasil, Luis Antonio Digiovani.

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