Vânia Casado
De Curitiba
A falência de três empresas do setor de limpeza e manutenção que trabalham sob o sistema de terceirização, em Curitiba, somente no último mês, deixou 750 empregados sem receber salários e verbas rescisórias. Para evitar o ‘‘ calote’’ dessas empresas no mercado e prejuízos para quem contrata os serviços terceirizados, a Federação Brasileira das Empresas de Asseio e Conservação (Febrac) e o Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação (Siemaco) alertam as empresas contratantes que elas podem até ser responsabilizadas pelos pagamentos dos débitos.
Um dos clientes dessas empresas, o governo estadual, que contratou o serviço de uma das empresas falidas, a Curitiba 2000 Administradora de Serviços, está sendo acionado judicialmente para honrar o pagamento devido aos funcionários que ficaram sem salário, afirmou Manacés Silva, presidente da Siemaco. A Curitiba 2000 fazia a limpeza do Palácio Iguaçu e da Procuradoria do Estado.
A ação contra o Estado foi impetrada pelo próprio Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação e está correndo nas 8ª e 9ª Junta do Trabalho. Já foi determinado o bloqueio de parte do pagamento que seria feito à empresa para pagamento dos funcionários. ‘‘Este caso ilustra bem a falta de moralidade no mercado’’, disse o presidente da Febrac, Adonias Arruda. Ele aconselhou as empresas que quiserem terceirizar os serviços que peçam informações sobre a idoneidade das empresas.
Arruda está preocupado com a moralização do mercado porque uma empresa lesada no processo de terceirização não volta mais ao mercado. Segundo ele, atualmente são 300 empresas de asseio e conservação que atuam no Paraná, mobilizando cerca de 30 mil empregos. Mas apenas 10% estão sindicalizadas e trabalham com as contas em dia e provisão de recursos. Arruda alertou para a facilidade de se abrir uma empresa de asseio e conservação e participar de licitações. ‘‘Elas não fazem os cálculos dos custos de forma correta e jogam o preço para baixo, para sairem vencedoras do processo’’. Depois funcionários e contratantes ficam com o ‘‘mico’’, acrescentou.

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