São Paulo - A estabilidade tirou da sombra o público de baixa renda. Sem a inflação para corroer o salário no final do mês, as famílias das classes D e E passaram a planejar melhor as suas finanças e a consumir um pouco mais. Com a oferta de um produto escasso para esse grupo - o crédito -, as empresas administradoras de cartão ganharam adeptos rapidamente desde 1996, quando começaram a montar estratégias para captar clientes nesse estrato. Nos últimos dois anos, mais que triplicou o número de usuários de baixa renda.
De acordo com um estudo divulgado ontem pela administradora Credicard, no final de 2001 as cinco maiores bandeiras já computavam 7,43 milhões de usuários de cartões com rendimento mensal entre R$ 300 e R$ 500. Em 1999, esse número era de 2,3 milhões.
De acordo com a vice-presidente de Marketing da Credicard, Carla Schmitzberger, com esse total de usuários as empresas de cartão de crédito alcançaram uma penetração de 21% nessa faixa de renda. ‘‘A média geral de utilização no mercado é de 35%, o que aponta um potencial de crescimento do uso na baixa renda.’’ O Brasil tem 28,5 milhões de portadores de cartão de crédito que ganham acima de R$ 500 por mês.
O limite de reservas financeiras do público de baixa renda, entretanto, aparece no valor das transações. Enquanto a média de mercado é de R$ 140 mensais, as classes C e D gastam cerca de R$ 28 por mês no cartão. Uma boa parcela, 38%, ainda financia o pagamento da fatura do cartão por meio do crédito rotativo.
Segundo Carla, o volume de gastos total nesse estrato passou de R$ 812 milhões em 1999 para R$ 2,05 bilhões no final de 2001, o que equivale a 3,5% do total de transações feitas no País. ‘‘É um volume grande de cartões para um gasto pequeno’’, observa.
As empresas apostam, contudo, que à medida que os novos clientes se acostumem definitivamente com o dinheiro de plástico o valor dos gastos deve subir. No estudo divulgado pela Credicard, fica claro que 48% dos usuários de baixa renda aderiram ao cartão de crédito há menos de três anos. ‘‘Eles estão num processo de aprendizado’’, avalia Carla. A empresa apurou uma maior utilização dos cartões nos Estados do Nordeste, onde a população já possui familiaridade com esse meio de pagamento, pois a rede Bompreço, dona de 111 lojas em nove Estados, trabalha há muito tempo com um cartão próprio, o Hipercard.

mockup