Empresas da construção reduzem de tamanho
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de agosto de 2004
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A trajetória do setor de construção pesada do País de 1996 a 2002 foi marcada pela redução do tamanho das empresas e pela queda dos investimentos do governo em infra-estrutura. Segundo pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as empresas com mais de 500 empregados reduziram a fatia de participação no total das empresas de construção pesada de 11,1% em 1996 para 7,4% em 2002.
Outra conclusão da pesquisa é que se em 1996, de R$ 100 em obras, R$ 60 vinham de entidades públicas, em 2002 esse número passou para R$ 52,4. Alexandre Brandão, gerente de Análise e Metodologia, disse que as mudanças ocorridas no segmento de construção pesada nos cinco anos avaliados são resultado de dois fatores principais: as empresas diminuíram de tamanho em consequência do processo de terceirização no setor e o governo diminuiu os investimentos em infra-estrutura. ''Ocorreu uma adaptação das empresas à nova realidade da economia e do mercado de trabalho e um recuo da demanda do governo'', disse.
O IBGE considera como empresas de construção pesada obras de infra-estrutura, ou seja, que excluem empreendimentos imobiliários e incluem obras viárias, viadutos, pontes, obras de urbanização e paisagismo, construção de barragens e de estações e redes de distribuição de energia elétrica. As empresas que empregam entre 40 e 99 empregados aumentaram a participação na construção pesada de 47,8% para 48,9% entre 1996 e 2002 e as que têm entre 100 e 249, cresceram a fatia de 28,8% para 31,8% no período.
Governo - A pesquisa do IBGE mostra também que as obras executadas para entidades públicas, que representavam 80,5% do valor total das obras da construção pesada em 1996, reduziram a participação para 70,6% em 2002.
O presidente do Sindicato da Indústria Nacional da Construção Pesada (Sinicon), Luiz Fernando Reis, disse que o diagnóstico da pesquisa do IBGE ''é um retrato da falência do Estado como investidor. Há alguns governos, apesar do aumento da carga tributária, não sobra para os investimentos''.
Apesar da constatação, a expectativa de Reis é de que o cenário mude a partir deste ano. Segundo ele, enquanto no ano passado houve investimentos públicos de apenas R$ 700 milhões no segmento de transporte e neste ano estarão em torno de R$ 1 bilhão, em 2005 a expectativa é de que subam para R$ 3,5 bilhões, com perspectiva de início de um novo ciclo de investimentos.
Brandão, do IBGE, disse que ''é possível'' que a tendência no médio prazo seja de prosseguimento na redução dos investimentos públicos em infra-estrutura, com aumento da participação do setor privado. Ele disse que ainda é cedo para afirmar se o processo de terceirização das empresas já foi concluído.


