Há empresas no mercado dispostas a pagar R$ 2,24 pelo dólar para garantir que suas dívidas no exterior não fiquem cada vez mais caras, o que significaria lucros menores (ou prejuízos maiores). Cresce nas mesas de operação dos bancos o medo de que muitas companhias corram para fazer a proteção de suas dívidas em dólar agora, o que criaria maior pressão sobre o câmbio e faria o preço do dólar subir ainda mais.
O dólar paralelo fechou em alta ontem de 0,72% no Rio de Janeiro, cotado a R$ 2,078. O câmbio a R$ 2,24 foi a taxa cobrada ontem no mercado para as operações de proteção (‘‘hedge’’) de dívidas em dólar com vencimento daqui a um ano. São dois os instrumentos mais usados para garantir que compromissos em dólar não fiquem mais caros em reais quando há valorização da moeda dos EUA.
Para prazos curtos (até três meses), são usados os contratos futuros de dólar, negociados na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). Para períodos maiores, o mecanismo empregado é uma troca (‘‘swap’’) – operações também realizadas na BM&F – do rendimento de um determinado ativo pela variação do câmbio.
Como isso funciona? No lugar da variação do dólar em relação ao real, a empresa troca a correção de sua dívida por outro indexador. Os mais usados são os contratos de juros. Essa correção pode ser feita por uma taxa fixa (prefixada) ou variável (pós-fixada). No ‘‘swap’’ entre taxa prefixada e câmbio realizado hoje, o dólar para um ano ficou em R$ 2,24. Isso significa dizer que a empresa que fez essa ‘‘troca’’ hoje se comprometeu a pagar R$ 2,24 pelo dólar daqui a um ano.
A grande maioria das multinacionais mantém protegidos seus compromissos externos, pois prestam contas às matrizes em dólar. Mas muitas empresas brasileiras têm preferido arriscar e não fazer o ‘‘hedge’’. O problema é que em períodos de turbulência no mercado financeiro, como o atual, muitas vezes é obrigada a pagar caro pela proteção, pois quanto mais o câmbio subir, maiores serão suas perdas.

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