São Paulo - Na última formatura da turma de graduação da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queirós, a Esalq-USP, diversos alunos foram premiados por terem se saído muito bem em trabalhos acadêmicos e técnicos. Apenas um recém-formado recebeu uma menção diferente, a de melhor companheiro.
David Feffer, presidente da Suzano Papel e Celulose, uma das maiores empresas do setor no Brasil, percebeu que este último premiado foi extremamente aplaudido pelos colegas e que se dava muito bem com todos. Por isso, ao final da solenidade, quando foi questionado se levaria algum talento para a Suzano, Feffer não teve dúvidas: disse que gostaria de ter na empresa justamente aquele que tinha mostrado ser querido entre os colegas e mostrava ter bons relacionamentos.
Casos como esse não são exceção no mundo corporativo, e a própria Suzano já especificou nos valores da companhia o que busca em seus executivos: empreendedorismo, excelência, relações com qualidade, responsabilidade por resultados e paixão. ''Estes valores têm muito menos ênfase na parte técnica e mais no quesito humano, pois queremos pessoas capazes de manter relacionamentos de qualidade com todos os públicos da empresa'', diz Denise Knijink, responsável pelo RH e Desenvolvimento de Talentos na Suzano.
A Suzano até faz um mapeamento completo de seus executivos, em que eles são avaliados pelos subordinados, superiores e por eles mesmos. ''Disso sai um plano de desenvolvimento individual e entramos com ações específicas, como treinamento, coaching e até visitas ao exterior'', conta.
Commodities - Para Cristina Almeida, diretora da NeoConsulting, consultoria de RH, as chamadas hard skills, ou seja, competências técnicas, já viraram commodities. ''O que faz diferença quando avaliamos uma pessoa é a postura que possui e a forma como lidera pessoas.''
Cristina afirma que esta mudança nas exigências profissionais são o reflexo de uma transformação na economia e na forma que as empresas conseguem garantir seus lucros: ''Antes as empresas se diferenciavam pelos produtos que tinham, mas hoje precisam agregar serviços para vender mais e mais caro, algo que exige esta parte humana nos negócios.''
Por isso, Aline Zimermann Franco, vice-presidente e sócia da Fesa, empresa que faz recrutamento de executivos, diz que habilidades de relacionamento já viraram um quesito presente em todas as contratações que sua empresa faz. ''Pessoas mais felizes produzem melhor, e isso só é conseguido se a liderança valoriza talentos e causa menos desgastes.''

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