Estoque represado, dificuldade de negociação com fornecedores e de receber em curto prazo são alguns dos obstáculos que os empresários vem enfrentando com a crise econômica. Com o caixa minguando, a solução tem sido apelar aos empréstimos para capital de giro.

A manicure Monique Carneiro abriu a própria esmalteria há dois anos, financiou 30% do investimento inicial e está contratando um segundo empréstimo: planos ambiciosos a médio e longo prazos
A manicure Monique Carneiro abriu a própria esmalteria há dois anos, financiou 30% do investimento inicial e está contratando um segundo empréstimo: planos ambiciosos a médio e longo prazos | Foto: Gustavo Carneiro



A Caixa Econômica anunciou a liberação de uma linha de crédito para financiamento do 13º salário para micro, pequenas e médias empresas. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) criou uma linha específica para capital de giro e quase 100% das operações da Fomento Paraná foram com essa finalidade. "Esse aumento é uma consequência natural da crise. O empreendedor toma o crédito para trocar de dívida e conseguir negociar prazos maiores e juros menores", disse Luiz Hauly Filho, assessor de mercado da Fomento Paraná.

Em 2017, 36,09% das 62 liberações de crédito realizadas entre janeiro e setembro pela instituição financeira estadual, em Londrina, tinham capital de giro como finalidade. Este ano, foram 59 no mesmo período, sendo que 92,41% com está destinação.

A Fomento opera com microcrédito para pagamento em 36 meses. As linhas de crédito vão de juro zero até o teto de 2,8% ao mês. Pessoa física também pode captar recursos com taxas atraentes, mas limitados a R$ 10 mil. "A liberação do crédito é orientado e os agentes de crédito fazem todo o acompanhamento, antes e depois da liberação do recurso", explicou Hauly Filho.

O microcrédito representa quase 90% das contratações da instituição. De 2011 a 2018, foram liberados R$ 281.745.901,00 para micro e pequenas empresas, com tíquete médio de R$ 11 mil.

O empreendedor paranaense contratou de janeiro a junho deste ano, mais de R$ 460 milhões por meio da linha de crédito BNDES Giro. O banco realizou 1.500 operações no Estado. Em torno de R$ 13 milhões foram para empresas de micro e pequeno porte. "Elas respondem por mais de 99% das operações no Paraná", disse Tiago Peroba, chefe do Departamento de Clientes e Relacionamento Institucional do BNDES Rio.

Os empréstimos até R$ 20 milhões precisam ser captados junto a agentes financeiros. O valor liberado dependerá de avaliação do risco de crédito. Bradesco, Fomento Paraná, Santander, BRDE e Caixa tem sido os principais operados desta linha de crédito.

Peroba afirmou que a demanda por crédito está alta, mas o empresário não está sabendo contratar o recurso. "A empresa só vai emprestar dinheiro se o empresário conseguir mostrar que tem condições de retornar o recurso, por isso é importante ter um bom plano de negócio de curto e médio prazo e transmitir de forma organizada ao banco esse plano. O agente financeiro precisa ter um entendimento claro daquela empresa", aconselhou Peroba.

Hauly Filho enfatizou que o empreendedor precisa se preparar, enxugar custos, reorganizar a casa e daí buscar um crédito diferenciado.

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DÉCIMO TERCEIRO
A Caixa Econômica abriu linhas de crédito especiais para as empresas financiarem o pagamento do 13º salário de seus empregados. As operações são destinadas a empresas com faturamento fiscal anual de até R$ 30 milhões. O banco destinou R$ 5,7 bilhões no período para as operações.

Segundo o diretor de Clientes e Canais do banco, Júlio Volpp, o banco oferece linhas de crédito com taxas de juros competitivas em relação ao mercado, para financiamento não só do 13º salário, como também do capital de giro para despesas diversas. "Além do 13º, os recursos podem ser usados para pagamento de férias, impostos ou para equilibrar o fluxo de caixa e os estoques, conforme a necessidade de cada empresa. Oferecemos acesso ao crédito e soluções financeiras para manutenção dos empregos e geração de renda", disse Volpp.

NOVOS NEGÓCIOS
De acordo com Hauly Filho, também percebe-se uma movimentação maior de busca de crédito para abertura de negócios na modalidade MEIs (Microempreendedor individual) e microempresas. "Percebemos a busca de investimento para abrir novos negócios e os arranjos produtivos locais têm se mostrado amortecedores nesta crise", avaliou o assessor de mercado.

Incentivada pelas clientes, a manicure Monique Cristiane Santos Carneiro decidiu abrir o próprio negócio há dois anos. Ela financiou 30% do investimento inicial da sua esmalteria e está contratando um segundo empréstimo. "Sou manicure há 14 anos e sempre tive o sonho de ter um negócio meu, mas não tinha capital. Uma das minhas clientes é da Garantinorte [agente de crédito] e me deu as orientações", contou Carneiro.

Ela ainda não conseguiu recuperar o investimento, mas já tem planos ambiciosos a médio e longo prazos. "Ainda não consegui guardar dinheiro, mas estou ganhando para viver e pagar as contas", disse. A manicure contou que pretende até o fim do ano ampliar o espaço físico da esmaltaria e, em médio prazo, transformar o negócio em uma franquia. "Mesmo com toda essa crise, a mulher não deixa de fazer a unha. Ela pode diminuir a frequência, mas gosta de estar bem cuidada", afirmou.

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