Empresas buscam energia alternativa
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terça-feira, 07 de novembro de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba-Como uma forma de geração alternativa de energia, algumas instituições assinaram ontem, em Curitiba, um acordo para desenvolver um modelo para Geração Distribuída de Energia Elétrica à base de biogás. Fazem parte da parceria Eletrobras, Itaipu Binacional, Eletrosul, Copel, Sanepar, Cooperativa Agroindustrial Lar e os centros de pesquisa Cepel, Lactec e a Fundação PTI.
O biogás é originado através do tratamento sanitário de esgostos, efluentes e resíduos orgânicos. Na prática, a decomposição de um resíduo orgânico gera gás metano. Este gás é usado como combustível de um motor que aciona um gerador para produzir energia elétrica. Outra forma de produzir energia seria também converter o biogás em hidrogênio que, assim como o metano, seria usado como combustível de um motor para gerar energia.
O técnico de Itaipu e um dos organizadores do evento que discute o assunto desde ontem em Curitiba, Cícero Bley Júnior, explica que setores da agroindústria com o de carnes e de agricultura orgânica poderiam participar deste projeto.
Com a geração de energia através do biogás, os produtores poderiam gerar energia para si mesmos e ainda vender o excedente para as concessionárias de energia como a Copel. ''Isso é uma libertação. É uma forma de o agronegócio ter uma fonte de geração de recursos'', disse Bley Júnior.
Segundo ele, por enquanto, há alguns projetos isolados de produção de energia desta forma. Na Cooperativa Agroindustrial Lar, em São Miguel do Iguaçu, um produtor que possui 3 mil suínos já está gerando energia elétrica a partir do biogás. Segundo o engenheiro químico da Lar e responsável por gestão ambiental, Ansberto Passo, nesta propriedade, os dejetos de suínos passam por um biodigestor onde é canalizado o gás metano e, em seguida, queimado em um motor gerador de energia. Com isso, o produtor consegue abastecer a propriedade e a fábrica de ração que possui. Ele trabalha com este sistema há um ano. E os dejetos também são transformados em biofertilizante para a lavoura. ''Esta vai ser mais uma alternativa de renda para o produtor rural'', disse.
Para Bley Júnior, a grande dificuldade vai ser organizar a sociedade para este projeto. Segundo ele, ainda é caro para os pequenos produtores iniciarem este trabalho porque não há uma política pública para isso no Brasil.
Hoje há cinco projetos iniciais para a produção do biogás: estação de tratamento de efluentes industriais do Abatedouro de Aves da Cooperativa Agroindustrial Lar em Matelândia; sistema de tratamento de dejetos suínos de uma Unidade Produtora de Leitões em Itaipulândia; sistema de tratamento coletivo de 33 suinoculturas localizadas na microbacia hidrográfica do rio Toledo; sistema de tratamento de uma suinocultura integrada da Cooperativa
Agroindustrial Lar, em São Miguel do Iguaçu e sistema de tratamento de esgotos urbanos, operado pela Sanepar em Foz do Iguaçu. Nestes projetos a meta é a produção de 1.800 metros cúbicos de gás metano.


