Empresas brasileiras vão captar dinheiro no Japão
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de janeiro de 1997
Agência Estado 
Título é negociado com comprador final
SÃO PAULO - A Nomura Securities pretende aumentar as emissões de títulos ao mercado de capitais japonês, os samurai bonds, para US$ 1 bilhão, depois de encerrar o ano passado contabilizando o lançamento de US$ 700 milhões em papéis do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da República do Brasil.
Segundo o presidente da Nomura no Brasil, José Carlos Pinho, as negociações para a montagem de operações de lançamento estão bem desenvolvidas e é possível alcançar este crescimento.
Até agora, a emissão de títulos no Japão tem sido uma exclusividade das estatais e do governo do Brasil, mas já em 1997 poderá haver o início da venda de papéis de empresas e bancos privados.
É nosso objetivo abrir o samurai bonds para o setor privado e financeiro, afirma Pinho. Acessar este mercado é importante por representar a possibilidade de juros menores em yen e prazos confortáveis entre cinco e oito anos.
Os samurai bonds são títulos negociados diretamente com o comprador final japonês, diferente do mercado de euroyen, que circula as demais praças financeiras importante do mundo. O Brasil acessou o mercado japonês pela primeira vez em 95, quando a República realizou uma emissão de US$ 1 bilhão.
No ano passado, o BNDES captou US$ 450 milhões e a República do Brasil vendeu outros US$ 250 milhões. Para 97, a intenção da Nomura é estender a colocação de títulos para as outras estatais brasileiras, incorporando gradativamente o setor privado. A liquidez do mercado japonês é boa para papéis brasileiros, afirma Pinho.
A Nomura, uma das mairoes corretoras de valores do mundo, pretende ainda participar das ofertas globais de ações da Companhia Vale do Rio Doce e empresas dos setores elétrico e telefonia que vierem a ser realizadas durante o processo de privatização brasileiro.


