São Paulo - Nos próximos dias podem ser definidas duas grandes aquisições - a compra da anglo-suíça Xstrata pela Vale e a fusão da Oi e da Brasil Telecom (BrT) -, que vão colocar as empresas brasileiras em um outro patamar. Caso as operações sejam concluídas, a Vale pode entrar para o clube das 100 maiores companhias abertas do planeta, do qual já faz parte a Petrobras. A Oi/BrT subiria para o time das 300 maiores em vendas do ranking da revista Forbes.
As duas operações mais aguardadas do começo deste ano são sinais de uma nova dinâmica no capitalismo brasileiro. O País vive a era das megaempresas, que ganham importância no jogo mundial e desafiam gigantes globais estabelecidos (em alguns casos, adormecidos).
O fenômeno é recente. Entre 2002 e 2008, o valor de mercado das dez maiores empresas de capital aberto do País foi multiplicado, em média, por 14 (ou valorização de 1.300%), segundo levantamento da consultoria Economática a pedido da reportagem.
Petrobras, Vale e Bradesco já aparecem entre as 60 empresas mais valiosas das Américas (exclui Canadá). A Petrobras está em quarto lugar, acima de nomes consagrados como Wal-Mart e Texaco. A Vale fica à frente de dois símbolos do capitalismo: Coca e McDonald's.
As razões do avanço são inúmeras: uma combinação de ambiente econômico estável e amadurecimento do mercado de ações no Brasil, crescimento mundial acelerado e gestões eficientes e arrojadas nessas empresas. Boa parte das companhias brasileiras que mudaram de patamar vende commodities, cujos preços subiram muito, pressionados pelo aumento do consumo no mundo, sobretudo na China.
É impossível desprezar o peso do câmbio no agigantamento dessas empresas. Esse período coincide com grande valorização do real ante o dólar. ''Mas as empresas tiveram um papel fundamental nos resultados'', diz o diretor do BCG, Fernando Machado. ''São companhias profissionalizadas e competitivas, inseridas no mercado internacional, com acesso a capital barato e pouco dependentes do governo.''
Embora o Brasil ainda cresça mais devagar que outros emergentes, a melhora recente dos principais indicadores econômicos - inflação, dívida pública, juros e balança de pagamentos - gerou mais estabilidade para decisões estratégicas de longo prazo nas empresas.
''O crescimento mundial criou oportunidades para empresas bem posicionadas'', diz o professor da Fundação Dom Cabral Álvaro Cyrino, coordenador de um estudo sobre a internacionalização das empresas. ''O tremendo crescimento da China fez com que a Vale pudesse navegar tranquilamente. E, no caso dela e da Embraer, a privatização foi decisiva.''

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