Empresas brasileiras comemoram alta nas vendas para a Argentina
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terça-feira, 27 de janeiro de 2004
Nilson Brandão Junior<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A Argentina virou o jogo no último minuto e recuperou, no final do ano, o posto de segundo maior destino das exportações brasileiras. Por uma margem reduzida - US$ 30 milhões - fechou 2003 à frente da China, que vinha ostentando o lugar de vice-líder no ranking da vendas externas, depois dos Estados Unidos, líder isolado. A recuperação portenha deverá estimular investimentos no mercado vizinho, segundo empresas sediadas no País.
''O ano todo só se falava em China e, de repente, aparece outro no segundo lugar. E a tendência, em condições normais, é que a Argentina mantenha o segundo lugar ao longo deste ano'', avalia o diretor-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil vendeu US$ 4,56 bilhões em produtos para o país vizinho e US$ 4,53 bilhões para a China. O primeiro lugar do pódio permanece cativo com os Estados Unidos, que compraram US$ 16,69 bilhões do Brasil.
Enquanto os itens manufaturados, de maior valor agregado, predominam na pauta com a Argentina, os produtos cotados internacionalmente, a exemplo da soja, são preponderantes nas vendas para a China. A recuperação gradual da economia argentina deu o tom da retomada das vendas brasileiros.
Tradicional parceira, a Argentina havia perdido peso relativo com a crise enfrentada nos últimos anos. Mas, no ano passado, as exportações para o sócio no Mercosul avançaram 95% e as vendas para o país avançaram de 3,9% do total, em 2002, para 6,2%, no ano passado.
As vendas de caminhões e ônibus da Volkswagen para o mercado vizinho mostram bem o que ocorreu no passado recente. Depois de exportar 1.021 veículos em 2000, o mercado argentino comprou apenas 442 ônibus e caminhões em 2001 e 44 em 2002. No ano passado, porém, as vendas para a Argentina somaram 1.290 veículos. O vice-presidente da Volkswagen Veículos Comerciais, Roberto Cortes, conta que a empresa ampliou a quantidade de revendedores no país.
A Duas Rodas Industrial, fabricante de matérias-primas para o setor de alimentos, também está apostando no mercado vizinho. Em 2000, comprou uma pequena fábrica local. ''Para nós, o investimento veio no momento certo'', comenta o gerente-geral da fábrica argentina, Adalberto Bertoli. Em 2003, a unidade importou da sede, em Jaraguá do Sul (SC), 30% a mais do que em 2002. Bertoli conta que a empresa reconhece que há problemas sociais, ''de várias naturezas, como no Brasil'', mas está otimista. Tanto que já planeja a construção de outra unidade fabril este ano.
O presidente do Grupo Brasil, entidade que reúne 190 empresas nacionais com negócios na Argentina, Eloi Rodrigues de Almeida, explica que além do início da recuperação da atividade, empresas brasileiras exportadoras também vêm dando crédito e assumindo parte do risco nas vendas para o mercado vizinho. Ele diz, ainda, que depois de despencarem entre 2001 e 2002, os investimentos brasileiros dão sinais de retomada em direção ao vizinho.


